Dilma tem 23 mil funcionários comissionados, diz editorial do Estadão

03/01/2015 13h54m. Atualizado em 03/01/2015 14h05m

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De acordo com editorial do Estadão “Inchaço da máquina pública”, publicado neste sábado (3), o Poder Executivo Federal, com a Presidência da República e os 39 ministérios, contam, atualmente com 891.949 funcionários públicos. O surpreendente número é difícil de ser explicado principalmente diante dos serviços públicos ruins oferecidos à população.
A presidente da República, Dilma Rousseff, e seus 39 ministros tem à disposição para contratar, com todos os benefícios do funcionalismo público, 113.869 postos. São os chamados cargos em comissão, ou cargo de confiança, ou seja, na maioria das vezes, o que pesa na contratação são os padrinhos políticos e não o currículo do candidato. É com esses cargos que o governo costuma negociar apoio com os partidos políticos. No caso do PT, os filiados que ocupam cargos em comissão são obrigados a contribuir com o partido para ajudar no caixa para as campanhas eleitorais. O restante são funcionários de carreira do estado – 757.158 cargos – e mais contratados temporariamente – 20.922.
Já o número de cargos de confiança de responsabilidade exclusiva da Presidência da República, de acordo com o Estadão, subiu de 18.450 em 2002, no último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, para 23.008 no fim do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff em 2014. Na era Lula, o primeiro mandato contou com 19.847 assessores e o segundo com 21.952.
O Estadão questiona a relação entre o número de servidores e a eficiência do Estado: “Um Estado inchado dificilmente é um Estado eficiente, estando mais para o seu oposto – um Estado que consome a riqueza nacional e produz burocracia”, considerou.
O jornal comparou ainda a quantidade de servidores de confiança no Brasil com os Estados Unidos e Alemanha. “Estima-se que nos Estados Unidos existam 4 mil cargos similares aos cargos de confiança e comissionados brasileiros. Na Alemanha, não chegariam a 600. Essa diferença abissal de cargos – sem contar os tamanhos das economias do Brasil e dos dois países citados – mostra que quantidade não é eficiência. Ao contrário, aqui parece ser que o menos é mais.”

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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