Dilma admite mudanças econômicas, mas não pronuncia nome de Joaquim Levy

02/01/2015 10h32m. Atualizado em 04/01/2015 09h40m

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Em discursos e entrevistas a jornalistas, a presidente Dilma Rousseff ainda não citou nenhuma vez o nome de Joaquim Levy, novo ministro da Fazenda que ainda é um estranho no ninho petista. A ausência da referência a Levy só se nota porque ele chegou com ideias diferentes das que ela praticou no primeiro mandato. Ao falar dos necessários ajustes fiscais ou do controle da inflação, Dilma refere-se, no máximo, a equipe econômica ou novos ministros.
Anunciado no mês de novembro do ano passado, Levy já apontou, no primeiro pronunciamento e em entrevistas, que será preciso fazer ajustes fortes nas contas do governo e voltar a mirar o centro da meta para recobrar a confiança na política econômica do governo Dilma.
Durante o primeiro mandato da presidente, a inflação estourou o teto várias vezes e nunca esteve exatamente na meta de 4,5%, que terminou com um enorme aumento dos gastos públicos e piora de todos os dados fiscais.
Levy é visto, dentro do PT, com ideias muito mais ligadas aos tucanos que foram oposição nos últimos 12 anos e tem uma linha mais liberal de pensamento. Isso apesar de ter trabalhado no governo Lula e sido muito bem sucedido como Secretário do Tesouro da equipe de Antonio Palocci.
O problema é que a orientação do primeiro mandato de Lula foi sendo alterado no segundo mandato de Lula e mais ainda no governo Dilma. Ela sempre teve um viés mais intervencionista de Estado como indutor da economia. Desde a época em que Dilma era apenas a responsável pela área de energia no escritório de transição montado em Brasília após a primeira vitória do ex-presidente Lula, ela demonstrava uma visão mais estatizante da economia.
Apesar de não dizer publicamente o nome de Levy, Dilma bateu palma (como fez com os outros 38 ministros) quando o novo chefe da Fazenda foi anunciado nesta quinta-feira (1) para o cargo, no Palácio do Planalto.
Dilma deveria fazer mais que isso em relação a ele. Cita-lo é o mínimo. Entre os 39 ministros, Levy representa a esperança de um segundo mandato menos atrapalhado na área econômica — ponto que até petistas ferrenhos admitem que Dilma falhou na primeira chance.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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