Em meio a uma grave crise financeira, Distrito Federal recebe posse presidencial

31/12/2014 11h29m. Atualizado em 02/01/2015 10h50m

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Nas últimas semanas do ano o abandono de Brasília ficou escancarado: o Distrito Federal enfrenta uma das piores crises de sua história. O rombo deixado pelo governo de Agnelo Queiroz (PT) é estimado em mais de 3 bilhões de reais. A população foi atingida em todas as áreas e, pelo visto, Rodrigo Rollemberg (PSB) eleito novo governador, não tem muitos motivos para comemorar em sua posse no dia 1º de janeiro.

Rollemberg vai precisar de boas estratégias para vencer a crise econômica que já prejudicou milhares de pessoas. Problemas como a falta de pagamento de servidores e de empresas terceirizadas, a greve dos garis que acumulou lixos pelas ruas e o caos nos hospitais públicos mostram um Distrito Federal abandonado e endividado. A principal causa dos problemas foi o inchaço da folha de pagamento. O governo derrotado passou então a retirar recursos de outras áreas para pagar os compromissos feitos com servidores e ocupantes de cargos comissionados. “O grande esforço vai ser reduzir despesa e ampliar a receita para voltar à normalidade, priorizando insumo para os hospitais, pagamento de salários e o funcionamento do transporte público”, explicou o futuro governador em entrevista ao jornal O Globo.

Nesta capital com sinais visíveis dos erros de gestão do PT, a Presidente Dilma Rousseff fará a festa do seu segundo mandato. Mas o cenário da posse, infelizmente, anda bem descuidado. Sem receber o repasse financeiro para pagar funcionários, a empresa responsável por cortar a grama nas ruas do DF se recusa a trabalhar. O mato cresce numa rapidez impressionante, nesta época de chuva, e, em alguns pontos, uma simples caminhada se torna uma aventura em meio a folhas e galhos que atrapalham a passagem das pessoas.

Mas a grama crescida não é o pior dos problemas do DF. A festa de final de ano está garantida na Esplanada e, mais uma vez, quem paga um preço alto é o povo. De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o governo cortou a verba de 16 áreas essenciais para conseguir bancar a festa de réveillon. O dinheiro que deveria ser investido em reformas de escolas, limpeza pública e alimentação de presidiários será investido em fogos de artifícios, equipamento de som e pagamento de artistas para o show da virada. Apesar da tentativa, o MPDFT não conseguiu impedir a realização da festa e amanhã o GDF vai se esforçar para agradar o público, como se nada estivesse acontecido neste triste final do mandato de Agnelo Queiroz. O governador derrotado em sua tentativa de permanecer no cargo, simplesmente abandonou o governo e deixou os problemas se acumularem.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores quase 70 missões estrangeiras já confirmaram presença na posse de Dilma Rousseff. Entre os convidados, estão os Presidentes da Venezuela, do Uruguai e do Chile. Para exibir apoio popular, o PT está mobilizando cerca de 800 ônibus para trazer manifestantes de todo o Brasil para celebrar a reeleição da Presidente da República. O mesmo PT que abandonou a cidade, por ter sido contrariado pelas urnas, é o partido que traz militantes para bater palmas para o governo do PT reeleito na área federal. Os visitantes estrangeiros terão que não ver o lixo acumulado, a grama não cortada, os serviços não prestados. Para o morador da capital, como este blogueiro, é impossível não ver os estragos escondendo a beleza da capital.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

2 Comentários para "Em meio a uma grave crise financeira, Distrito Federal recebe posse presidencial"

  • iolane 01-01-2015 (10:42 am)

    o ex governador deixou o comando do GDF sem pagar desde do mes do outubro dívidas com funcionários da saúde vem são 3 meses sem pagamento de horas extras árduas trabalhadas

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