Após 13 anos de guerra, OTAN retira tropa do Afeganistão

31/12/2014 08h07m. Atualizado em 03/01/2015 11h18m

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Um capítulo importante da história está sendo encerrado nesta semana. Após 13 anos de ocupação do Afeganistão, as forças da OTAN arriaram sua bandeira e oficializaram sua saída do país. A cerimônia aconteceu no último domingo (28) e marcou o fim de uma época de intervenção militar e de duros conflitos entre afegãos e talibãs. A saída oficial da tropa acontecerá nesta quinta-feira, 1º de janeiro. No entanto 12.500 militares americanos continuarão no país para a missão “Apoio Decidido”, com o objetivo de treinar o exército afegão, que agora lutará sozinho contra a insurreição talibã. A notícia sobre a cerimônia só foi divulgada no último minuto, para evitar possíveis ataques.

Os Estados Unidos ocuparam o Afeganistão em 2001, após o atentado de 11 de setembro, como uma forma de represália contra os planos da Al-Qaeda. Desde então, bilhões de dólares foram injetados no país e mais de 150 mil soldados foram mobilizados para garantir a segurança do povo afegão. Durante o período, os talibãs multiplicaram seus ataques contra as forças ocidentais e contra o exército e a polícia do Afeganistão. Neste ano, quase 10 mil civis já foram vítimas da guerra, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Desde 2009, os números não eram tão assustadores.

Para o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a guerra está acabando de forma responsável, mas o Afeganistão continua sendo um lugar perigoso. “Agora, graças ao extraordinário sacrifício de nossos homens e mulheres militares, nossa missão de combate no Afeganistão chega a seu fim, a mais longa guerra da história dos Estados Unidos acaba de maneira responsável”, comentou Obama. O fim da missão da OTAN motivou o presidente afegão, Ashraf Ghani, a convocar os talibãs para negociar a paz, mas o acordo parece estar longe de acontecer, já que, para os talibãs, a cerimônia apenas confirma a derrota da OTAN. “Os 13 anos de missão americana e da OTAN foram um fracasso absoluto no Afeganistão. A cerimônia de hoje é seu fracasso”, declarou o porta-voz talibã Zabihullah Mujahid.

Apesar do anúncio do encerramento das ações, os Estados Unidos manterão o apoio aéreo aos afegãos e poderão intervir diretamente caso ocorra um avanço talibã na região. Até o fim de 2015, as tropas americanas devem ser reduzidas à metade no Afeganistão. O objetivo é que, no fim de 2016, apenas um contingente residual permaneça no país para proteger a embaixada, localizada em Cabul.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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