Justiça Eleitoral usou fibras óticas do governo para transmitir votos no DF

10/02/2015 09h27m. Atualizado em 13/02/2015 11h58m

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Parte dos votos do Distrito Federal nas eleições de 2014 foi transmitida via fibras óticas da chamada “rede Infovia” — criada para atender as transmissões de dados entre órgãos de governo em Brasília. Trata-se de uma rede operada pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), usando as fibras do Ministério do Planejamento.

Os votos do DF que foram transmitidos nesta via são os das regiões do Lago Sul, Lago Norte, condomínios de Brasília, bairros nobres da capital, além de Itapuã e São Sebastião, uma cidade-satélite.

Em documento interno do Serpro, ao qual o blog teve acesso, o órgão explica que no dia 15 de setembro foi realizada uma reunião técnica com representantes da Justiça Eleitoral e da Escola de Administração Fazendária “onde foi definida [esta] solução tecnológica para a realização dos primeiro e segundo turno, no início e no final de outubro”.

No resto do Brasil, os votos foram transmitidas por uma rede de comunicação privada formada por cinco empresas de telefonia, contratadas pela Justiça Eleitoral. Fazem parte desta rede as empresas Embratel, Oi, GVT, Telefônica e Level3.

Todavia, o método em si foi o mesmo: o uso das fibras ópticas. Em menor escala, a justiça eleitoral usou as redes virtuais privadas, com o uso de criptografia e certificados digitais.

Procurado pelo blog, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que “não há nenhuma irregularidade” na transmissão de parte dos votos do DF por fibras óticas do governo. “A Infovia, fazendo uma analogia, é apenas uma estrada. A via dentro dela utilizada pela Justiça Eleitoral é privativa e os dados são criptografados”, explicou o tribunal.

É só uma estrada, mas numa eleição tão tensa e disputada como a do ano passado, era melhor ter evitado a estrada governamental.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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