Cuidar do coração pode ficar mais fácil em 2015

30/12/2014 06h41m. Atualizado em 31/12/2014 07h45m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

Quem pretende cuidar bem da saúde em 2015 já pode esperar grandes novidades na área de cardiologia. Líderes da Academia Americana de Cardiologia, localizada em Washington, divulgaram as principais tendências para o ano novo nos cuidados com o coração. Entre as novidades, os maiores destaques são as mudanças na implantação de “stents” e outros procedimentos de reparação cardíaca menos invasivos, além da criação de uma legislação sobre bebidas energéticas e o desenvolvimento de uma nova classe de remédios para redução do colesterol. Veja, a seguir, as principais novidades anunciadas:

Cuidando da saúde em qualquer lugar – as tecnologias vestíveis para monitorar a saúde desempenham um papel cada vez maior na sociedade. Os dispositivos e softwares criados para medir taxas e analisar alterações cardíacas têm sido muito recomendados por médicos e adotados pelos pacientes, que não precisam mais ir ao consultório para realizar exames longos e cansativos. Um relógio criado pela Apple, por exemplo, mede a taxa de pulso e usa sensores para monitorar os exercícios e alterações cardíacas. O relógio pode ser usado em conexão com um aplicativo que combina os dados e compartilha tudo diretamente com o médico do usuário. Outros dispositivos populares são o Fitbit e o Garmin, da Microsoft Band, que acompanham a saúde do paciente e devem ter seu uso ainda mais frequente com as inovações que estarão disponíveis em 2015.

Mudanças na implantação de stent – pacientes com problemas cardíacos muitas vezes recorrem a procedimentos menos agressivos, que não exigem cirurgias para abertura do tórax. Atualmente, a colocação do “stent” é uma das formas mais simples de evitar problemas no coração. O instrumento é uma pequena prótese em forma de tubo, colocada no interior da artéria para evitar uma possível obstrução dos vasos sanguíneos. Em 2015, os especialistas na área devem discutir os riscos, os benefícios e o tempo de revascularização completa após um ataque cardíaco. É possível que a prática de inserir “stents” comece a ser realizada em múltiplas artérias, uma medida mais simples e que gera grandes resultados, como já foi comprovado em ensaios clínicos realizados em 2013 e em 2014.

Novas recomendações para atletas com problemas cardíacos – o primeiro semestre de 2015 deve trazer a tão esperada atualização das recomendações para a prática de esportes de jovens atletas com anomalias no coração. A expectativa está na atualização do relatório “Recomendações de elegibilidade e desqualificação para atletas profissionais com anomalias cardiovasculares”, criado em 2005 na Confererência Bethesda. O documento possui instruções e procedimentos para interdição temporária ou permanente de atletas com problemas cardíacos em relação aos esportes competitivos. Outro ponto discutido pelo relatório é o uso de substâncias dopantes e suplementos dietéticos, além de estratégias de testes de diagnóstico para os esportistas.

Aprovação de anticoagulante pode ajudar na prevenção do AVC – no próximo ano, a FDA, agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, deve decidir sobre a aprovação do anticoagulante Edoxaban. Se a comercialização for autorizada, este será o quarto remédio usado como alternativa à Varfarina que, durante décadas, foi prescrita para evitar acidentes vasculares cerebrais em pacientes que sofrem com a fibrilação atrial. Apesar de ser muito eficaz, a Varfarina possui fortes efeitos colaterais e requer um acompanhamento atento para estabelecer uma dosagem segura. Em outubro, a FDA recomendou a aprovação do Edoxaban e, agora, a expectativa é que a autorização seja definitiva. A fibrilação atrial é um distúrbio do ritmo cardíaco que afeta mais de 2,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Esse número cresce à medida que a população envelhece, por isso os profissionais de saúde se empenham em prescrever remédios com menos efeitos colaterais, como o Edoxaban.

Controle no uso de bebidas energéticas – nos Estados Unidos, a preocupação com o crescente abuso de bebidas energéticas por crianças e atletas escolares deve induzir o governo a criar
uma legislação sobre o tema. As salas de emergências relataram aumento no número de visitas de jovens com queixas de batimentos cardíacos irregulares e distúrbios do sono, provavelmente causados pelo uso exagerado de bebidas energéticas. Atualmente, as pesquisas são insuficientes para calcular os danos que essas bebidas podem causar ao organismo a longo prazo, mas os profissionais da comunidade médica ressaltam a importância das políticas públicas para reduzir o consumo dessas substâncias pelas crianças e adolescentes. Vários projetos de lei já foram apresentados nos últimos anos, especialmente voltados para o cuidado na venda e marketing desses produtos.

Dieta e exercícios também fazem parte do tratamento, não apenas da prevenção – a equipe da área cardiovascular da Faculdade Americana de Cardiologia vai expandir seu foco na gestão do estilo de vida como ferramenta para reverter e agir na prevenção das doenças cardiovasculares. Pesquisas recentes mostraram que a reabilitação cardíaca baseada em atividades físicas reduz as taxas de mortalidade em pacientes que sofreram infarto do miocárdio. Além de ajudar a prevenir, os exercícios e uma dieta equilibrada ajudam no tratamento de muitos fatores de risco, como a resistência à insulina, a intolerância à glicose, a obesidade e as taxas elevadas de triglicerídeos.

Novo medicamento na redução das taxas de colesterol – uma nova classe de remédios está sendo desenvolvida para diminuir os níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL), também conhecida como “colesterol ruim”. O laboratório Amgen pediu autorização para produzir e comercializar o inibidor Evolocumab, capaz de reduzir drasticamente o colesterol em pacientes que sofrem com as taxas elevadas no sangue. A FDA deve decidir sobre o assunto no início de 2015 e uma nova opção no cuidado com a saúde pode estar disponível em breve.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

    Comente

    O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.