Chocolates são a nova gastronomia de luxo da França; Por Pierre Pichoff

27/12/2014 07h46m. Atualizado em 28/12/2014 08h40m

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Perfumes, champagne e queijos. São esses os produtos mais lembrados quando se fala na cozinha francesa. Chocolates de luxo eram imediatamente relacionados aos produzidos pela Suíça e pela Bélgica. Mas os tempos mudaram. E o Salon du Chocolat Paris 2014 provou que o chocolate francês já tem o mesmo potencial de encantar o mundo que as bebidas, os cosméticos e outros aspectos da culinária.
A curiosidade é que as lojas dedicadas ao consumo de chocolate em Paris dividem as ruas com as lojas de moda de alta costura.
Os chocolates gourmet invadiram uma das ruas mais prestigiadas de Paris, a Rue Saint-Honoré, situada no coração da cidade, próxima ao Louvre, à Ópera, à Place Vendôme e à Madeleine. É o único produto alimentício alçado ao status do local. A famosa loja Ladurée tornou o ingrediente carro chefe na confecção dos macarrons, doce de luxo típico francês. Para quem não tiver a oportunidade de experimentar a iguaria na capital francesa, a Ladurée possui franquia no shopping JK em São Paulo.

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A revolução do chocolate francês começou com Gaston Lenôtre, grande mestre dos doces e fundador da escola Lenôtre em 1971, um estabelecimento de referência, onde o chocolate conseguiu um lugar preponderante. Lenôtre formou gerações de chef começando por Alain Ducas até Pierre Hermé.
A primeira criação com o ingrediente que fez colocou a França famosa na arte de transformar o chocolate foi o “petit gateau”, um bolo de chocolate que derrete assim que você dispara o primeiro golpe de garfo. Foi em 1981 que Michel Bras criou essa sobremesa, atualmente presente no circuito da alta gastronomia, que não pode faltar nos menus de restaurantes famosos em Tokyo, Nova York, Rio de Janeiro.
Por trás desse sucesso histórico, está uma marca baseada no sul da França, chamada Valrhona. Ela fornece o chocolate na forma bruta para as melhores lojas do país e tem como principal produto uma cobertura, que busca o equilíbrio entre o crocante e o macio. A Valrhona utiliza o Guanaja como matéria-prima. Guanaja é feito com 70% de cacau Criollos e feijões Trinitários e o resultado é um chocolate com um belo brilho, sem imperfeições, nem bolhas. O aroma é frutado, com leve tom de café e uma nota floral. A sensação na boca é de fácil derretimento e o sabor das frutas passa a ser mais intenso.
A magia do chocolate Francês não tem segredo. Sua fonte é o cacau. “Nós entendemos que tínhamos que baixar a gordura, o açúcar e o leite para aproveitar do melhor jeito possível o cacau”, disse Sylvie Douce, membro da presidência da feira do chocolate.
No Japão, o chef francês Jean-Paul Hévin já é considerado um ícone. Ele possui nove lojas e não é raro que durante o período das férias existam filas de pelo menos seis horas em frente a suas lojas.
Podemos apostar que, nos próximos anos, você não irá à França somente para ver a Torre Eiffel, a historia da Segunda Guerra Mundial ou para degustar bons vinhos a preço de nacional. Você se deixará seduzir com uma “tablette de chocolat Française”.

Pierre Pichoff

Formado como piloto comercial de avião, Pierre Pichoff mora em Caen, na Normandia, França. Ele é o diretor de uma empresa de turismo, a "Descobrindo a Normandia", que oferece passeios personalizados sobre a história da Segunda Guerra Mundial na Normandia, além de Paris e outros roteiros na França.

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