Gabriel Medina é campeão mundial de Surfe

19/12/2014 17h27m. Atualizado em 21/12/2014 11h03m

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O surfista Gabriel Medina, de apenas 20 anos, fez história nesta sexta-feira (19) ganhando um inédito título mundial de Surfe para o Brasil. Após 38 anos lutando na elite do esporte, o país que já havia batido na trave com outros surfistas, conheceu um campeão.
O feito de Medina para o Brasil aconteceu nos águas de Pipeline, no Havaí — o tradicional Pipe Masters, etapa mais famosa e esperada do circuito mundial de Surfe.
A disputa em Pipe valia o título porque Medina liderava o ranking do ano, seguido de perto pelo australiano Mick Fanning e pela lenda norte-americana Kelly Slater, que tem 11 títulos mundiais.
Primeiro, Medina venceu a sexta bateria da terceira fase de Pipe Masters, contra o havaiano Dusty Payne, tirando as chances de Slater, que não tinha mais condições de ultrapassa-lo na pontuação anual.
A disputa, então, ficou concentrada em Fanning, que, na água, lutava para tirar o título do jovem brasileiro. Experiente, o tricampeão mundial tentava mostrar confiança de que conseguiria o tetra. Todavia, havia outro brasileiro no caminho do australiano.
Alejo Muniz, nascido argentino mas naturalizado “canarinho”, derrotou Fanning na quinta fase da competição, deixando o tricampeão fora das quartas de final.
Pronto. Era o capítulo que faltava para festa brasileira no Havaí. Ninguém podia alcançar a pontuação de Gabriel Medina em 2014.
“É fantástico. Eu não sei exatamente o que dizer. Eu quero agradecer Alejo. Eu amo essa torcida. Eu sonhava com isso e, agora, virou realidade. Me sinto honrado de poder surfar aqui”, disse, após se tornar campeão do mundo.
Com o título, Medina também igualou o recorde do próprio Slater de mais jovem campeão, aos 20 anos.
Na disputa de Pipe Master, Medina ficou sem segundo, atrás apenas de Julian Wilson, australiano, como Fanning, que surpreendeu na final.
Não importou. Nada importava. Um brasileiro campeão mundial deixou o Havaí verde e amarelo.
Medina recebeu o caneco de campeão mundial que muitos brasileiros tentaram, como Fábio Gouveia, Teco Padaratz e tantos outros.
Ao levanta-lo, pediu para os organizadores do evento para falar em português. Nada mais justo.
“Muitos brasileiros tentarem. Não sei porque… Deus me escolheu. Isso não é bom só para mim, mas para todos nós”, disse, apontando para a torcida brasileira, maioria em Pipe. “É o esporte que amo. Mesmo que não envolvesse dinheiro, eu iria surfar mesmo assim”.
Há menos de um mês, Medina venceu a categoria Esportes de homem do ano da revista GQ. Ele não pode comparecer à festa, no Rio de Janeiro, porque estava treinando para buscar o título mundial. Em vídeo, enviou mensagem dizendo que lutaria até o fim. Medina lutou.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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