Superbactéria ameaça verão do Rio de Janeiro

18/12/2014 16h07m. Atualizado em 20/12/2014 12h35m

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Uma superbactéria KPC, resistente a antibióticos, foi encontrada nas praias do Flamengo e de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou a superbactéria em amostras de água coletadas no Largo do Boticário (Cosme Velho), Aterro do Flamengo (antes da estação de tratamento do rio) e na foz do Rio Carioca, no ponto onde ele deságua no Flamengo.
Uma das áreas identificadas atinge a raia Pão de Açúcar, demarcada para as Olimpíadas Rio 2016, e que serviu de evento-teste da categoria Vela, em agosto de 2014.
De acordo com informações do site do médico Dráuzio Varella, a superbactéria KPC pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, no trato urinário, em feridas cirúrgicas e enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada.
Todavia, a transmissão não foi registrada fora de um ambiente hospitalar até agora. Apenas em contato com secreções do paciente infectado, cujas normas básicas de desinfecção e higiene não foram respeitadas.
“Ela não é perigosa para a saúde das pessoas com sistema imunológico íntegro”, explicou a bioquímica e professora da UFRJ Renata Cristina Picão, responsável pela estudo que identificou a superbactéria nas praias.
A presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Isaura Fraga, alerta aos banhistas que acompanhem os testes de balneabilidade divulgados rotineiramente pelo instituto. “Fizemos uma correlação entre nossos estudos e os da UFRJ. Comprovamos que, quando a praia está imprópria, a bactéria pode aparecer. Quando a praia está própria, ela não aparece. Dessa forma, o teste de rotina feito pelo Inea é um indicador da existência ou não da bactéria”, explicou.
Matéria publicada pelo The New York Times, nesta quarta-feira (17), relata que atletas olímpicos fizeram “soar campainhas de alarme”, por conta da notícia. De acordo com o jornal norte-americano, Martine Grael, filha de Torben Grael, chamou a descoberta das bactérias de “uma vergonha que as autoridades têm de resolver”.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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