Petista assusta Planalto em CPI da Petrobras. Oposição desiste de citar Dilma

18/12/2014 09h50m. Atualizado em 18/12/2014 10h30m

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O relator da CPI Mista da Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), assustou o Palácio do Planalto ao declarar na porta da sala de reunião da comissão que não há mais “condição política” para a permanência de Graça Foster e dos demais diretores no comando da Petrobras.
As declarações de Marco Maia (foto) provocaram fúria na presidente da República, Dilma Rousseff, de acordo com fontes que acompanham o dia-a-dia do Planalto.
“Acho que não há mais condição política para a permanência da Graça Foster e dos atuais diretores da Petrobras no comando. Sou favorável e acredito que o governo deve, nos próximos dias, conduzir mudanças que sejam significativas na condução dessa que é a maior empresa brasileira”, disse Marco Maia.
O petista continuou surpreendendo e apresentou um relatório pedindo o indiciamento de 52 pessoas e a admissão de prejuízos na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Mas deixou fora da lista a presidente da estatal, Graça Foster.
A decisão sobre o relatório ficou para a manhã desta quinta-feira (18) depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, cancelou as votações ocorridas na comissão durante a ordem do dia do plenário, que decidia sobre o novo Código de Processo Civil, indicação de embaixadores, aumento de salários de deputados e senadores entre outros projetos.
PT rebate PT
O ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, convocou a imprensa para rebater a declaração de Marco Maia. Berzoini disse que Maia fez apenas uma análise política pessoal.
“Só [queria] manifestar, em nome do governo, a total confiança na gestão da presidenta Graça Foster, e da sua diretoria, e que nós entendemos que os assuntos da Petrobras têm sido conduzidos com zelo, firmeza e determinação pela diretoria”, disse Berzoini.
Já a oposição chegou a anunciar na reunião da CPI que pediria o indiciamento da presidente Dilma no relatório paralelo que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) vai apresentar. Mas, no fim da noite, ficou decidido que não será explicitado o nome de Dilma no relatório. Apenas se pedirá ao Ministério Público que promova a responsabilização civil e por ato de improbidade administrativa de todos os integrantes do alto escalão da Petrobras que tenham participado da aprovação da compra da Refinaria de Pasadena. Na época, Dilma Rousseff presidia o Conselho de Administração da Petrobras.
“A Lei das Sociedades Anônimas, aponta, expressamente, a responsabilidade dos conselheiros que aprovaram a medida que causou danos à empresa (art. 153). Da mesma forma, a Lei de Improbidade Administrativa responsabiliza o agente público cuja ação ou omissão ilegal tenha contribuído para causar dano ao patrimônio público”, disse Carlos Sampaio em um trecho do relatório.
O relatório da oposição só será posto em votação se o relatório do deputado Marco Maia não for aprovado.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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