Estados Unidos e Cuba reatam relação: o fim de uma política externa caduca

17/12/2014 16h46m. Atualizado em 18/12/2014 09h57m

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Começa a acabar um problema que havia caducado há muito tempo nas relações interamericanas. O anúncio do presidente Barack Obama nesta quarta (17) de reatar relações com Cuba pode por fim a um embargo de 53 anos que empobreceu Cuba, não produziu a abertura do regime, e não é mais respeitado.
Várias empresas contornaram essa proibição. “O isolamento não funcionou”, disse Obama, num momento de puro realismo na diplomacia. O Brasil há muitos anos defende que haja o fim do embargo e as relações normais entre países da região.
Para Obama, significa dizer não a um dos lobbies mais fortes dos Estados Unidos, a dos cubanos-americanos em Miami, Florida, que sempre foi decisivo nas eleições da Flórida, grande colégio eleitoral. Também quebra um tabu tão velho quanto a guerra fria. É um momento histórico para quem pensa na crise dos mísseis, em 1962, em um dos mais tensos momentos da guerra fria, os “13 dias que abalaram o mundo”.
A insistência no isolamento de Cuba não faz qualquer sentido em quem pensa na intensidade das relações dos Estados Unidos com a China. Mas Obama enfrentará feroz resistência do Congresso dominado pelos republicanos.
A participação do Papa Francisco dá ao momento mais um tom de novidade. O presidente Raul Castro e o próprio Obama agradeceram ao líder católico, que intermediou as negociações enviando cartas aos dois.
Nelas, segundo a CNN, o pontífice pediu nos últimos meses para os dois líderes estreitarem as relações. O anúncio dos dois líderes aconteceu simultaneamente.
A rede de notícias informou ainda que, com os pronunciamentos, muitos cubanos, a maioria nascidos após início do embargo em 1961, choravam nas ruas com o avanço na política externa. A cena era descrita assim, enquanto os sinos das igrejas tocaram por toda Havana logo após a divulgação do fato histórico.
Também na CNN, o senador republicano da Flórida Marco Rubio deu o tom do que fará a parte mais fundamentalista da bancada republicana: disse que não dará qualquer apoio a nenhuma medida para aumentar as relações entre Cuba e Estados Unidos.
Durante a a negociação diplomática, Cuba soltou o norte-americano Alan Gross, 65, após cinco anos de prisão. A situação de Gross era vista como mais um problema para uma normalização do contato entre os dois países.
Gross foi preso em 2009 e condenado a 15 anos de prisão. O governo de Castro o acusa de “ações contra a integridade territorial do Estado”.
Já a administração Obama afirma que Gross apenas proporcionava acesso “sem censura” à internet para uma comunidade judaica na ilha.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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