Técnica criada em Israel reforça o tratamento da asma em crianças

16/12/2014 09h32m. Atualizado em 17/12/2014 11h55m

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As grandes cidades convivem diariamente com a poluição. Por essa razão, milhares de pessoas desenvolvem asma ao longo da vida, inclusive as crianças. Em busca de uma solução para detectar as causas da doença nos pequenos, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriu um novo método de investigação do pulmão.

A técnica, chamada de Escarro Induzido, estimula a expectoração de muco após a inalação de uma solução salina pelo paciente e permite analisar partículas pequenas que, até então, não eram detectadas por outros exames. O objetivo dos estudos é ajudar os pais a protegerem seus filhos de ambientes poluídos e mostrar a importância de um diagnóstico correto e do monitoramento da saúde dos pacientes.

Os testes com o método de Escarro Induzido começaram no Ground Zero, em Nova York. O local foi construído no espaço onde ficavam as torres do World Trade Center, antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. As equipes que trabalharam nos escombros foram expostas a partículas perigosas e muitos desenvolveram uma tosse grave.

Para analisar os efeitos dessa exposição, a Professora Elizabeth Fireman, da Universidade Sackler de Tel Aviv, foi até Nova York e testou o método do Escarro Induzido em 39 bombeiros que trabalharam no local dos ataques no período de setembro de 2001 a maio de 2002. O resultado assustou os pesquisadores e foi possível confirmar que os trabalhadores inalaram metais muito perigosos, inclusive mercúrio.

Após a conclusão dos testes, a Professora Fireman se uniu a uma equipe de pesquisadores e publicou um novo estudo nos Arquivos Internacionais de Saúde Ocupacional e Ambiental, mostrando as vantagens de utilizar a técnica do Escarro Induzido para avaliar o efeito da poluição em crianças asmáticas. “Depois do nosso último estudo sobre a exposição ocupacional, decidi analisar o setor mais vulnerável no campo da asma – as crianças”, comentou a professora.

Segundo ela, os atuais sistemas de monitoramento dos ambientes são capazes de medir partículas grandes de poluição, geralmente expelidas naturalmente pelo pulmão. Todavia, é preciso saber o que acontece com as partículas menores, que atacam os sistemas imunológicos do corpo e afetam crianças com asma.

Foram analisadas 136 crianças com idade entre 2 e 12 anos de idade, que já tinham histórico de asma e eram pacientes do Centro Médico Sourasky, em Tel Aviv. “Não descartamos a importância da manutenção de estações ambientais, mas elas não podem ser usadas como única medição dos níveis de poluição”, concluiu a Professora Fireman.

Ainda é preciso investigar a viabilidade da técnica em grandes populações, mas a descoberta representa uma nova ferramenta para o tratamento da asma em crianças, evitando complicações e o agravamento do quadro dos pacientes ao longo da vida.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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