Troca de propinas e contrato bilionário assinado em branco são as novidades desta segunda-feira (15) sobre a Petrobras

15/12/2014 07h56m. Atualizado em 15/12/2014 13h48m

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O Globo continua nesta segunda (15) a sua série de reportagens sobre os negócios da Petrobras com a holandesa SBM, que já confessou per pago propina aos funcionários da estatal brasileira. A novidade é que a diretoria da Petrobras assinou sem valor estimado o contrato para a construção da plataforma P-57. Os valores foram assinados só sete meses depois. “Petrobras assinou até contrato em branco”. Informa também que a queda do preço do petróleo e a crise podem provocar a mudança das regras de exploração do pre-sal. E o Ministério Público vai denunciar outros nove fornecedores.
No Estado de S.Paulo, a manchete também é sobre o escândalo de corrupção na estatal. “Delator diz ter feito ‘permuta de propina’ com tesoureiro do PT”. O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco disse em delação premiada que fez uma troca de propinas. Assim: Barusco possuía um ‘crédito’ na empreiteira Schahin Engenharia mas estava com dificuldade de receber o dinheiro. Como João Vaccari Neto tinha boa relação com a Schahin, e ao mesmo tempo era também ‘credor’ de propina de outra empresa de óleo e gás, Barusco o procurou para trocar os créditos.
A Folha optou por uma manchete sobre a reunião do clima em Lima, que, aliás, está nas primeiras páginas dos jornais ainda que com enfoques diferentes. “Países pobres também terão que reduzir CO2, decide cúpula”, diz a Folha de S.Paulo assegurando que houve um avanço que superou o impasse que dividia os países. Agora, todos terão que reduzir emissões. Essa é a versão otimista. O Estadão diz que “Ricos cedem e COP aprova rascunho contra aquecimento”. Segundo o jornal, os países mais desenvolvidos tiveram que concordar em ajudar os mais pobres a alcançar metas. O Globo diz também que pela primeira vez houve acordo para reduzir as emissões, mas que para os ambientalistas o acordo de Lima é fraco porque deixa para o ano que vem o estabelecimento de metas. Na verdade, o grande problema da COP foi não ter pavimentado o caminho para Paris. Concordar em tese é diferente de estabelecer metas.
O Valor trata do caso pelo problema do atraso do balanço. Por normas do mercado de ações e cláusulas de contratos, as empresas abertas têm que ter balanços editados e no prazo certo. A Petrobras até agora não conseguiu publicar o balanço do terceiro trimestre. Se 180 dias após o fim do ano, ela não conseguir publicar o balanço os empréstimos que tomou a prazo vencem imediatamente. Ela teria que pagar um volume enorme de dinheiro. É por isso que a manchete do Valor é “Petrobras negocia prazo de pagamento com credores”. Ela já está se preparando para o pior cenário: não ter balanço auditado em tempo.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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