Dilma mantém Graça Foster na Petrobras. Marina, Alckmin, Janot e Aloysio defendem substituição de diretoria

15/12/2014 08h40m. Atualizado em 15/12/2014 15h45m

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A presidente da Petrobras, Graça Foster, foi nomeada pela presidente da República, Dilma Rousseff, em fevereiro de 2012. De lá para cá, a estatal perdeu quase metade do seu valor de mercado, deixou de valer R$ 254,8 bilhões para valer R$ 132 bilhões, segundo a Economática.
As ações caíram de R$ 17,65 para R$ 14,27, mas na semana passada a cotação chegou a R$ 10,00. A Petrobras vive o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, mas Dilma Rousseff mantém a mesma diretoria da empresa.
Como boa gestora, deveria ter sido a primeira a alertar para os desvios que a cada dia são revelados. Eles são anteriores à sua ida para a direção, mas como presidente está ficando evidente que, no mínimo, ela não buscou as informações que deveria.
Não bastassem os resultados desastrosos da Petrobras nos últimos anos, surgiram suspeitas de que Graça Foster tinha conhecimento do esquema de desvio de dinheiro público na Petrobras. Na semana passada, o jornal Valor Econômico revelou que Graça Foster foi alertada em 2011 pela geóloga Venina Velosa da Fonseca sobre desvios na diretoria de Abastecimento, área em que o hoje corrupto confesso Paulo Roberto da Costa atuava. Paulo Roberto Costa pediu demissão da Petrobras e foi elogiado pelo Conselho de Direção da empresa da qual Graça Foster e a própria Dilma faziam parte.
Em junho deste ano, durante reunião da CPI, Graça Foster afirmou que a comissão interna de investigação não havia encontrado indícios de irregularidades nos contratos entre a Petrobras e a SBM Offshore, a empresa holandesa que em seu país confessou o pagamento de propina. Informação desmentida por ela própria, talvez em ato falho, durante entrevista coletiva em outubro, quando confirmou ter sido informada pela SBM de que houve pagamento de propina a empregados da Petrobras.
Durante entrevista à Globo News, Marina Silva pediu urgência em mudanças na diretoria da Petrobras.
“É preciso mudar a diretoria da Petrobras. Essa diretoria foi nomeada, mantida durante todos esses anos e não teve a competência e o compromisso para evitar o que foi feito. É preciso e de uma forma urgente que seja feita essa mudança, em nome do interesse público”, alertou.
No Dia Internacional de Combate à Corrupção (9), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também pediu a substituição da diretoria da Petrobras. “Esperam-se as reformulações cabíveis, inclusive, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição de sua diretoria, e trabalho colaborativo com o Ministério Público e demais órgãos de controle”, afirmou Janot.
O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) já declarou à imprensa que Graça Foster não tem mais condições de continuar na presidência da Petrobras.
Até o moderado governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante homenagem ao ex-governador Mário Covas, disse ser a favor de mudanças na diretoria da Petrobras: “não só de mudança de pessoas, mudança de métodos”. Para ele, “os processos de licitação devem estar todos errados”.
É preciso que a estatal entre em um novo tempo — hora de uma mudança radical que Dilma nem começou a fazer.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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