Na luta contra as mudanças climáticas, COP 20 em Lima não preparou o caminho para Paris

14/12/2014 18h42m. Atualizado em 17/12/2014 10h44m

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O título do documento final da COP 20 — Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas — em Lima já desanima. É o “Chamado de Lima para a ação climática”. A esta altura dos acontecimentos é muito pouco.
Foram 20 Conferências da ONU sobre mudanças climáticas. Desde a Conferência das Partes de Copenhague, a famosa COP 15, na qual compareceram os chefes de Estado, já se usava este termo. “A call for action” era o título dos documentos assinados por grandes empresas globais antes da COP de Copenhague.
Na negociação do Peru, a história se repetiu: uma sucessão de impasses, que levou a reunião a se atrasar. Em vez de terminar na sexta-feira (12) à meia noite e só terminou na madrugada deste domingo (14), quando foi aprovado pelos delegados de 195 países que participaram da conferência. E tudo isso para decidir sobre um texto que foi ficando mais fraco a cada vez que se via que os impasses eram insuperáveis. A expectativa era que Lima preparasse o terreno para Paris. Não foi.
Era irrealista por duas razões. A primeira é que a regra da ONU de decisão por unanimidade, e não maioria, impede que se aprove um documento suficientemente forte. Ela leva ao mínimo denominador comum, e não ao máximo.
A segunda razão é que ninguém toma decisões deste tipo, antes do tempo. A decisão de Paris só será tomada em Paris. E a pretensão é que no ano que vem, na capital francesa, seja fechado o primeiro acordo abrangente de redução das emissões.
Ele vai substituir o Protocolo de Kyoto que ficou restrito a alguns poucos países. Paris pode ser um sucesso se for uma reunião de governantes e se eles entenderem os riscos que o mundo está correndo nessa luta contra o tempo.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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