Brancos são preconceituosos contra negros nos EUA e nem sabem, informa Washington Post (Vídeo)

14/12/2014 12h46m. Atualizado em 15/12/2014 15h53m

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A maioria dos americanos brancos demonstra preconceito contra os negros, mesmo que não seja consciente ou capaz de controlá-lo. Essa é a conclusão de análise de um blog do The Washington Post após pesquisa online com dois milhões de pessoas realizado pelo site do Projeto Implícita.

De acordo com o blog, esse fator foi muito pouco discutido nos angustiantes debates sobre raça provocados pela absolvição de um policial branco que matou um jovem negro desarmado pela justiça de Ferguson, St. Louis, no Missouri.

A cidade foi colocada em estado de alerta e uma nova onda de protestos tomou os EUA. Neste sábado (13), milhares de pessoas marcharam na cidade de Nova York protestando contra o ocorrido. Veja vídeo abaixo.

A pesquisa publicada no blog do Washington Post afirma que esses preconceitos implícitos – se fossem para influenciar decisões de aplicação da lei em frações de segundo, poderiam, sim, ter consequências de vida ou morte. Os testes do Projeto Implícita são psicológicos.

Com base nesses dados, parece que os brancos em alguns estados podem apresentar níveis mais elevados de preconceito do que em outros. O mapa acima, que ilustra essa nota, mostra os estados com o maior nível de preconceito (número elevado, vermelho) e menor nível de preconceito (número baixo, azul).

A cor cinzenta representa os estados com uma quantidade média de preconceito implícito; Michigan é o estado mediano. No geral, o mapa reflete a pontuação de 1,51 milhão de pessoas, que vão desde um máximo de 99.660 examinandos da Califórnia a um mínimo de 1.722 examinandos do Havaí.

Todavia, o Washington Post faz uma advertência: as pessoas que participaram da pesquisa não são parte, como acontece normalmente, de uma escolha aleatória de norte-americanos, a nível nacional ou em uma base de Estado por Estado. Em vez disso, eles são as pessoas que, por algum motivo, escolheram fazer um teste on-line de medição de seus preconceitos implícitos – o que pode, na verdade, significar que eles são menos tendenciosos que a média. (Afinal de contas, pelo menos, eles queriam saber se são tendenciosos.)

“Por favor, tenha em mente que este mapa descreve voluntários para o IAT on-line”, diz o psicólogo Anthony Greenwald, da Universidade de Washington, que criou o Teste de Associação Implícita em 1995. “Esses voluntários são mais jovens, mais educados, politicamente liberais, e mais do sexo feminino do que a população dos Estados Unidos como um todo.” Segundo Greenwald, vamos levar algum tempo para entender o que a imagem significa – e não significa.

No Brasil o tema é ainda mais controverso. Aqui, a dissimulação e a negação do preconceito racial foram a grande marca. Poucos têm a coragem de se dizer racistas ainda que pesquisas já tenham mostrado que a maioria considera que há racismo, mas não admite fazer parte disso.

O grande argumento usado é que no Brasil a discriminação é social, o que equivaleria a dizer que se o negro conseguir chegar a uma classe social de maior renda ele deixaria de ser discriminado. O argumento tem se demonstrado falso por vários testes e eventos. E se fosse verdadeiro não diminuiria o problema, porque discriminar é sempre ruim, seja por cor ou por renda.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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