Sonda espacial testa teorias sobre a origem da água na Terra

12/12/2014 19h39m. Atualizado em 12/12/2014 19h39m

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Uma descoberta feita pela Agência Espacial Europeia (ESA) pode mudar de vez o debate dos cientistas sobre a origem da água da Terra. Até então, grande parte dos pesquisadores acreditava que a água que ocupa o nosso planeta teria vindo dos cometas. Todavia, uma análise feita pela sonda Rosetta mostra que a origem pode ser diferente.

O veículo espacial realizou medições no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e, ao comparar o vapor coletado com o que temos no planeta Terra, a conclusão é de que a água desse cometa é muito mais pesada do que a daqui.

As informações foram divulgadas pela Agência Europeia e mostram que as suspeitas dos astrônomos podem estar erradas. “Esta observação notável certamente acrescenta combustível para o debate sobre a origem da água na Terra”, afirmou Matt Taylor, pesquisador da ESA, em entrevista para a Revista Science.

Os cientistas acreditam que a água da terra teria fervido e evaporado há 4 milhões de anos, por causa das altas temperaturas. Hoje, dois terços da superfície do planeta são cobertos por água e o objetivo da ciência é descobrir de onde veio tudo isso.

A suspeita em relação aos cometas começou em 2011, quando uma análise feita no Hartley 2, localizado no centurião de Kuiper, mostrou que sua água era totalmente compatível com a nossa. Para realizar a comparação, é feito um cálculo do índice DH, formado por deutério e hidrogênio.

A vantagem de realizar sondagens nos cometas é que eles são ferramentas únicas no Sistema Solar, pois abrigam materiais que sobraram da formação dos planetas e, por isso, refletem a composição essencial de sua origem.

As informações são do módulo espacial Philae, que fez pouso inédito em um cometa no mês passado. A missão histórica levou dez anos para ser cumprida. O módulo espacial Philae se descolou da sonda Rosetta e pousou no 67P/Churyumov-Gerasimenko. Todavia, pela própria dinâmica do sistema solar, essas análises ficam cada vez mais difíceis.

Após realizar a coleta, a sonda continua viajando, agora em torno do sol, entre as órbitas da Terra e de Marte. “Ao longo do próximo ano estaremos mantendo uma estreita vigilância sobre como o cometa evolui e se comporta, o que nos dará uma visão única sobre o mundo misterioso de cometas e da sua contribuição para a nossa compreensão da evolução do Sistema Solar”, finalizou Matt Taylor.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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