“Tufões kamikazes” há três mil anos podem ser exemplo de conseqüências das atuais mudanças climáticas

11/12/2014 11h35m. Atualizado em 12/12/2014 12h47m

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No final do século 13, Kublai Khan, então governante do Império Mongol, lançou um dos maiores exércitos de seu tempo na tentativa de conquistar o Japão.
Todavia, registros da época revelam que as frotas foram dizimadas ou dispersadas, entre 1274 e 1281 antes de Cristo, por um fenômeno denominado “tufões Kamikazes” – evento que “protegeu” o Japão da invasão.
Esses relatos históricos, obviamente, são propensos ao exagero, e questões importantes permanecem desconhecidos sobre a verdadeira intensidade desses lendários tufões.
Pesquisadores do departamento de geociência da Universidade de Massachusetts, liderados pelo pelo professor J.D. Woodruff, fizeram a reconstrução de tempestades da época, através de registros sedimentares em um lago próximo ao local das invasões mongóis. O estudo foi publicado na revista Geology da Sociedade Americana de Geologia.
A pesquisa identificou evidências de dois grandes tufões gêmeos, na mesma época dos lendários “tufões Kamikazes” e reforçam a ideia de que eles foram de intensidade alta.
A reconstrução das tempestades indicou que eventos dessa natureza foram mais frequentes na região naquele período. Os resultados confirmam que os “tufões Kamikazes” desempenharam um papel importante na guerra.
A reconstrução mostra que atividade do tufão durante as invasões mongóis foram impulsionadas devido à direção preferencial de tempestades ao Japão e por uma maior atividade do fenômeno El Niño.
Segundo Woodruff, os “tufões Kamikazes” podem servir de exemplo de como às mudanças climáticas tiveram impactos geopolíticos significativos.
E as mudanças climáticas atuais motivadas pelo aquecimento global… que impacto terão?

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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