Nenhuma mulher pode ser estuprada. É crime. Mas Jair Bolsonaro deve ser punido

11/12/2014 08h46m. Atualizado em 13/12/2014 07h43m

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O PT, PCdoB, PSOL e PSB pediram a cassação do mandato do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) na noite desta quarta-feira (10) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Na terça (9), Bolsonaro disse no plenário da Câmara que só não estupraria a ex-ministra dos Direitos Humanos e deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”, durante debate sobre o relatório da Comissão Nacional da Verdade.
“Fica aí, Mária do Rosário. Há poucos dias tu me chamou de estuprador no salão verde e eu falei que não iria estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir”, disse Bolsonaro na ocasião. Bolsonaro continuou com despautérios contra a colega a quem ele acusava de ser: “mentirosa deslavada e covarde”,
Nem Mária do Rosário, nem nenhuma mulher pode ser estuprada porque, além de tudo, isso é crime. O ato de violência sexual é um dos maiores atentados à dignidade da mulher, que com menos força física que o homem, tem poucas chances de escapar da crueldade. A violência sexual traz conseqüências irreversíveis à vida da vítimas: seqüelas físicas, trauma emocional, medo, insônia, transtorno de pânico, dificuldade em se relacionar afetiva e sexualmente, entre outras.
Esta não é a primeira vez que Jair Bolsonaro usa palavras de baixo calão contra Maria do Rosário. Em 2003, em uma discussão no Salão Verde da Câmara, Bolsonaro repetiu a bordoada: “Não estupro você porque você não merece”. Em seguida partiu para o confronto físico, empurrou a deputada, e apontou-lhe o dedo na cara, chamando-a de vagabunda.
Jair Bolsonaro foi o deputado mais votado no Estado de Rio de Janeiro. Recebeu mais de 464 mil votos, cem mil votos à frente de Clarissa Garotinho, eleita com a segunda maior votação entre os fluminenses. Mas essas palavras, além de óbvia “falta de decoro”, são incitação ao crime, ofensa grave, e ameaça de violência. Crime contra os quais ele teria que ser processado. Uma boa razão para acabar com a imunidade parlamentar. Se esse caso servir para acabar com a imunidade de Bolsonaro terá feito algum bem ao parlamento. Até agora sua carreira política se caracteriza pela violência e impropérios que lança contra pessoas que pensam diferente dele.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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