O caso do coronel Machado, do Riocentro, pode ser reaberto

11/12/2014 07h43m. Atualizado em 12/12/2014 08h53m

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O coronel Wilson Machado pode ser julgado. Esta é a convicção do jurista Pedro Dallari que coordenou a Comissão da Verdade. Dallari disse em entrevista divulgada nesta quarta (10) ao programa Globonews Miriam Leitão que, pelas informações de que dispõe, é por aí que começará a ser revista a ideia de que os militares não podem ser julgados pelas violações de direitos humanos. E isso por uma questão de data. Ele diz que está se formando o entendimento — neste caso de Machado — que a ele não se aplica a Lei de Anistia porque o atentado do Riocentro foi em abril de 1981 e a lei perdoa crimes cometidos antes de sua publicação em 1979.
O coronel era capitão quando levou bombas, acompanhado do sargento Rosário, com a intenção de jogá-las sobre estudantes que haviam comparecido ao local para ver o show de comemoração ao dia do trabalhador, na noite de 30 de abril de 1981. “Estavam lá 20 mil estudantes, milhares poderiam ter morrido. Isso é terrorismo de Estado”, lembra Dallari.
A Comissão Nacional da Verdade não defende a revisão da Lei da Anistia, ela sustenta a tese de que ela é inaplicável aos crimes contra a humanidade, que foi o caminho jurídico escolhido pela comissão ao pedir punições. Agora deve-se travar nova batalha jurídica porque o Ministério Público Federal tem a intenção de propor novas ações.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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