Animais enxergam mais cores que humanos na escuridão

10/12/2014 16h44m. Atualizado em 10/12/2014 16h44m

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Uma descoberta recente divulgada pela BBC Earth mostra que alguns animais — como os lêmures (foto) –superam os seres humanos com a capacidade de enxergar cores mesmo na escuridão. Cientistas do mundo todo acreditavam que os olhos dos animais funcionavam como os dos humanos.

Na ausência de luz, os cones, nossos receptores oculares, não conseguem detectar cores, já que os fótons que nos ajudam a distinguir os tons compõem os raios de luz. O máximo que podemos ver são alguns tons de cinza. Todavia, de acordo com as últimas descobertas, alguns animais possuem olhos diferenciados para ajudar na sobrevivência, na busca por comida e até mesmo para fugir de predadores.

A cientista sueca Almut Kelber foi a primeira a fazer experimentos nesse sentido, com uma mariposa-elefante. De acordo com as análises feitas por Kelber, esses animais tem lentes maiores em seus olhos, o que faz com que, mesmo no escuro, sejam capazes de identificar cores ultravioletas, o amarelo e o azul. Outro animal estudado pela cientista foi o lagarto Tarentola Chazaliae, que também possui lentes maiores, que reduzem a distância percorrida pela luz dentro do olho.

Emma Teeling, da universidade irlandesa de Dublin, foi outra pesquisadora que analisou os olhos de alguns animais. Para ela, todos os mamíferos noturnos devem ser estudados, já que é possível que todos eles tenham a capacidade de enxergar cores no escuro. Em 2011, por exemplo, cientistas descobriram que o aie-aie (foto abaixo), mamífero que vive em Madagascar, enxerga o azul quase ultravioleta mesmo na escuridão. Já em 2014, outros lêmures foram analisados e sua capacidade de ver cores à noite foi confirmada.

Wikipedia

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Ainda não há um motivo específico que explique porque esses animais enxergam tão bem na escuridão, mas as pesquisas continuam. Na Carolina do Norte, uma equipe estuda exclusivamente o aie-aie, enquanto Almut Kelber tenta entender a visão noturna dos sapos, apesar de ainda não ter chegado à conclusão.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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