Despedida de Alex é traduzida em choro de felicidade e saudade

08/12/2014 09h16m. Atualizado em 10/12/2014 21h46m

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Por Gabriela Moreira
São muitas as conversas das quais gostaria de ter participado. Esta, entre Alex e seu pequeno filho é uma delas. Sentado ao lado do pai, que se despedia do futebol, o pequeno observava. Certa vez, após anunciar aposentadoria, o pequeno bradou, reclamou e o pai prometeu que jogaria mais uma temporada.

Agora, parecia resignado. Vontade de estar perto para ouvir as explicações do pai jogador. Uma hora, filho, esse momento iria chegar. Na verdade, todo jogador nasce de certa forma aposentado. Parar é questão de tempo. Muitos param antes mesmo de ser.

Ser no futebol de Alex é verbo transitivo, sempre. Alex, foi um desses. Que encantou com e sem a bola. Verbo transitivo direto e indireto. Com ou sem complemento, um jogador que fazia o meio de campo (com trocadilho) como pouquíssimos. Que extrapolou as jogadas ensaiadas e fez do próprio destino muito mais do que o futebol fez por ele.

Lembro-me de quando o vi pela primeira vez de perto. Foi em Brasília. Não no Mané Garrincha, mas no auditório do Palácio da Alvorada após encontro de reivindicações com a presidente Dilma. Uma conversa que me fez alegrar.

Lucidez e coragem. Habilidades que no futebol já haviam lhe recompensado. Um pai de exemplos tem esse menino ao centro do gramado. Ao se despedir, em sua página oficial, Alex comentou:

“O ‘Rei de Roma’, Falcão disse que um jogador de futebol morre duas vezes; a primeira, quando para de jogar. Compreendo o que quis dizer, mas prefiro pensar que um jogador de futebol nasce duas vezes. O meu primeiro nascimento será agora”.

Feliz aniversário, Alex. O futebol, é apenas seu convidado.

Gabriela Moreira

Gabriela Moreira é repórter da ESPN e colaboradora do blog

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