“O que acontecia na Petrobras, acontece nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas”, diz Paulo Roberto Costa em CPI

03/12/2014 09h31m. Atualizado em 03/12/2014 09h41m

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Em sessão da CPI da Petrobras, nesta terça-feira (2), o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa (foto), disse que o Brasil está contaminado com esquemas de corrupção semelhantes ao da Petrobras. “O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas! É só pesquisar, porque acontece”. Mas não apresentou fatos novos.
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) considerou que a denúncia foi o ponto alto do depoimento de Paulo Roberto, além de ele ter confirmado que é verdadeiro o conteúdo de sua delação premiada. “O segundo ponto importantíssimo da fala dele foi quando ele confirmou que esse esquema de corrupção existe no transporte, na Eletrobras e em todos os meios”, disse.
Funcionário de carreira da Petrobras, Paulo Roberto Costa admitiu que só alcançou a diretoria de Abastecimento por envolvimento político. O ex-diretor enfatizou que estava arrependido e que, se pudesse voltar atrás, não aceitaria novamente o posto. “Infelizmente aceitei uma indicação política para assumir a Diretoria de Abastecimento. Estou profundamente arrependido de ter feito isso. Resolvi fazer a delação de tudo o que acontecia na Petrobras.”
Ele contou que, após seis meses de carceragem, em um dia de visita, sua famíilia o instou a falar o que sabia, perguntando se ele iria pagar sozinho pelo esquema de corrupção. “Foi quando decidi pela delação premiada”, explicou.
A expectativa inicial era a de que Paulo Roberto Costa ficaria calado durante a reunião. Mas o ex-diretor acabou confirmando aos parlamentares como verdadeiro o conteúdo da delação acertada com o Ministério Público e a Polícia Federal. “Tudo que eu falei na delação, que eu não posso abrir aqui, eu confirmo. A delação é um instrumento sério e não pode ser usado de artifício, de mentira”, disse.
Paulo Roberto afirmou que apresentou as provas do que disse e, quando não as tinha, indicou à Justiça onde buscá-las. Paulo Roberto confirmou o que a imprensa tem anunciado: a de que nos depoimentos ele citou nomes de “algumas dezenas de políticos”.
“Provas estão existindo, estão sendo colocadas. Falei de fatos, falei de dados, falei de pessoas. Na época oportuna, essas pessoas todas virão a conhecimento público. Não é neste momento. Um dia virão. Eu não sei quando, não está na minha mão isso, mas tudo o que eu falei eu confirmo”, afirmou.
A reunião que Paulo Roberto Costa participou no Congresso era de acareação com o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró. Paulo Roberto Costa disse em depoimento não sigiloso à Justiça do Paraná que o mesmo esquema de corrupção que acontecia na área de Abastecimento também ocorria na área de responsabilidade de Cerveró. Por sua vez, Cerveró negou ter conhecimento sobre pagamento de propina e ainda avaliou que a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi um bom negócio para a estatal. O prejuízo da operação calculado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) é de US$ 792 milhões.
“A avaliação que foi feita pelos auditores do TCU contém alguns equívocos que levaram a essa divulgação fartamente explorada pela mídia de um prejuízo que inexiste. Inexiste esse prejuízo”. Cerveró contou ainda, no que pareceu um lapso, que sua defesa estava sendo paga pela Petrobras.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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