Tumulto, gritos de guerra e empurra-empurra adiam mais uma vez votação da meta fiscal

03/12/2014 01h26m. Atualizado em 03/12/2014 08h11m

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Ledo engano achar que o decreto presidencial prometendo liberar R$ 444,7 milhões para emendas individuais de senadores e deputados facilitaria a vida do governo federal no desafio de aprovar a alteração na meta fiscal para 2014. Na noite desta terça-feira (2), foi o povo nas galerias que impediu que a sessão acontecesse. O presidente do Senado, Renan Calheiros, suspendeu os trabalhos por “falta de clima” para a realização de votações e anunciou o reinício do processo para as 10h da quarta-feira (3). O quórum da terça será mantido.
“Em 190 anos, é a primeira vez que ocorre uma obstrução como essa no Congresso Nacional. 26 pessoas assalariadas paralisando, obstruindo as atividades do Congresso Nacional. Que democracia é essa ? Havia 26 pessoas partidariamente instrumentalizadas tumultuando, não dá para trabalhar e conduzir uma sessão do Congresso Nacional dessa forma”, disse o presidente do Senado, aparentemente nervoso com a situação.
Desde antes do início da sessão do Congresso, por volta das 18h, protestos populares já deixaram tenso o clima nos corredores da Câmara dos Deputados. Depois de iniciados os trabalhos, o acesso às galerias do plenário, que geralmente é livre a visitantes, foi restrito a quem tivesse uma senha distribuída por deputados. As pessoas que conseguiram entrar começaram a reclamar aos gritos que os outros não tiveram a entrada liberada. Renan Calheiros leu trecho do regimento, segundo o qual o acesso às galerias é livre desde que o silêncio seja mantido. O pedido de silêncio teve reação contrária e os presentes passaram a participar aos berros, mas a sessão continuou, com a oposição reclamando das restrições à entrada. O clima que já estava tenso, esquentou de vez quando a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) acusou as pessoas de estarem chamando a senadora Vanessa Graziotini (PCdoB-AM) de “vagabunda”. Para o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), os gritos diziam “vai para Cuba”. Renan Calheiros mandou evacuar as galerias e suspendeu a sessão. Enquanto a Polícia Legislativa cumpria a ordem, um grupo cantava “fora PT”. Por cerca de uma hora, os manifestantes e os policiais do Senado e da Câmara protagonizaram cenas de empurra-empurra, alguns deputados oposicionistas subiram às galerias para defender os manifestantes. O clima não arrefeceu e o presidente do Senado foi obrigado a encerrar os trabalhos.
O projeto que altera a meta fiscal só pode ser apreciado após a votação de dois vetos que trancam a pauta do Congresso, o que é uma dificuldade a mais para o governo. Os vetos dizem respeito a alteração da nomenclatura de um instituto federal na Bahia e de uma barragem no Rio Grande Norte, assuntos que a presidente da República, Dilma Rousseff, nunca imaginou que seriam motivo de tanto desgaste político.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

1 Comentário para "Tumulto, gritos de guerra e empurra-empurra adiam mais uma vez votação da meta fiscal"

  • Carol 03-12-2014 (6:43 am)

    Você esqueceu de dizer que as galerias do Congresso estavam vazias. Que vários parlamentares intercederam para que as pessoas lá fora entrassem e o Renan recusou. E que quando uma pediu que evacuassem, ele acatou. Tudo muuuito democrático.

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