Surge esperança contra câncer de mama em universidade americana

02/12/2014 15h51m. Atualizado em 10/12/2014 23h03m

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Uma vacina desenvolvia pela Universidade de Medicina de Washington, em St. Louis, pode ser a resposta tão esperada contra o câncer de mama.
Publicada nesta segunda-feira (1) no site da Universidade, a pesquisa indica que a vacina funcionou em alguns pacientes com metástase.
Ainda considerado preliminar, as evidências do estudo mostram que o uso da vacina ajudou o sistema imunológico a atacar as células cancerígenas e a retardar a progressão do câncer.
A nova vacina faz com que o sistema imunológico do corpo armazene uma proteína chamada mamaglobina-A, encontrada quase que exclusivamente no tecido da mama.
O papel da proteína no tecido saudável ainda não é absolutamente claro, mas os tumores de mama mostram registros da mamaglobina-A em níveis anormalmente elevados, de acordo com a pesquisa.
“Ser capaz de ‘acertar’ a mamaglobina é emocionante porque ela se expressa em mais de 80 por cento dos cânceres de mama, mas não em níveis tão significativos em outros tecidos do corpo”, disse o cirurgião de câncer e escritor William E. Gillanders.
“Em teoria, isso significa que poderíamos tratar um grande número de pacientes com câncer de mama com menos efeitos colaterais”, completou.
“Também é emocionante ver esse progresso de identificar a importância de mamaglobina, a concepção de um agente terapêutico, fabricá-lo e dá-lo a pacientes – todo um trabalho feito por investigadores da Universidade de Washington”, acrescentou.
A vacina prepara um glóbulo branco, parte do sistema imunológico do corpo, para procurar e destruir as células com a mamaglobina-A. Em menor proporção, mulheres com câncer de mama não produzem mamaglobina-A. Nestas pessoas, a vacina não seria eficaz.
No estudo experimental, 14 pacientes com metástase de câncer de mama, que desenvolveram a mamaglobina-A, foram vacinados. A fase 1 do experimento foi projetado principalmente para avaliar a segurança da vacina.
Segundo a universidade, os pacientes experimentaram poucos efeitos colaterais, relatando oito eventos classificados como leve, incluindo erupção cutânea, sensibilidade no local da vacinação e sintomas gripais leves. Todos… sem efeitos colaterais graves ou com risco de vida.
Dos 14 pacientes que receberam a vacina, metade não mostrou progressão do câncer — um ano após ter começado o tratamento. Em 12 pacientes, que não foram vacinados, um quinto não apresentou progressão do câncer no mesmo período. Apesar do tamanho pequeno da amostra, esta diferença é, segundo a universidade, estatisticamente significativa.
Embora o tratamento tenha sido planejado apenas para testar a segurança da vacina, evidências preliminares indicaram que a vacina retardou a progressão do câncer, mesmo em pacientes que tendem a ter sistemas imunológicos enfraquecidos por causa da doença avançada e a exposição à quimioterapia.
Com base nos resultados deste estudo, Gillanders e seus colegas planejam um teste clínico maior para testar a vacina em pacientes com câncer de mama recém-diagnosticados, que, em teoria, podem ter sistemas imunológicos mais robustos do que os pacientes submetidos a terapia de câncer extensa.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.