Exame não acha veneno em João Goulart, mas resultado é “inconclusivo”

01/12/2014 19h01m. Atualizado em 10/12/2014 23h04m

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O resultado da autópsia dos restos mortais do ex-presidente João Goulart não encontrou vestígios de veneno, o que poderia comprovar que ele teria sido assassinado pela ditadura militar (1964-1985).

Exumado no ano passado,  o corpo de Jango foi submetido à perícia em laboratórios do Brasil, Espanha e Portugal, além de envolver especialistas de Argentina, Uruguai e Cuba, mas os exames não identificaram a presença de medicamentos tóxicos.

Foram procurados 700 mil substâncias químicas entre as cerca de 5 milhões conhecidas. Após a exumação dos restos mortais, o corpo do ex-presidente chegou a ser recebido em Brasília com honras de chefe de Estado (foto acima) pela Presidente Dilma Rousseff. Este blogueiro presenciou a homenagem.

Deposto pelo golpe militar de 1964, Jango teria morrido de infarto, de acordo com relatos de familiares. À época, em 1976, o ex-presidente morava na Argentina, no exílio, e seu corpo não foi submetido a uma autópsia.

Rumores de um assassinato por agentes da ditadura sempre cercaram o nome de Jango. A suspeita maior é a de que ele teria sido vitima da operação Condor, perseguição aos oponentes comunistas dos regimes ditatoriais que se instalaram no Cone Sul.

Arquivo Nacional

Jango em encontro com então embaixador dos Estados Unidos (Arquivo Nacional)

O relatório da autopsia tardia é inconclusivo. “Do ponto de vista científico, as duas possibilidades [seja morte natural ou envenenamento] se mantêm”. Segundo o documento, permanece a dúvida.

A ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, afirmou que “um laudo pericial é parte do processo de investigação e não uma conclusão em si”. “Há uma investigação em curso pelo Ministério Público, já que a morte de Jango aconteceu na Argentina”, disse Ideli, de acordo com a EBC.

Quem acompanha casos da ditadura militar sempre ouviu os relatos de que Jango havia sido assassinado pelos militares. Apesar de o laudo não ser categórico, a versão do assassinato, após ele, perde força. Todavia, investigações como a do caso Jango e outras são fundamentais para o Brasil responder suspeitas de crimes contra humanidade cometidas pelo regime.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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