PT titubeia em documento que cobra ética

30/11/2014 21h57m. Atualizado em 01/12/2014 13h53m

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Ao aprovar um documento sobre como balizar a expulsão de envolvidos em escândalos de corrupção neste sábado (29), o diretório nacional do PT retirou o “imediata” do texto. A palavra tornava o texto sobre as medidas do partido contra supostos desvios éticos enérgico, urgente e efetivo, principalmente se fosse cumprido.
O documento ainda aponta que o envolvido filiado, agora, tem de ter a participação comprovada em algum esquema para haja punição, como mostraram os jornais deste domingo (30).
“Concluídas as investigações, queremos que os corruptos sejam punidos. Se houver alguém do PT implicado com provas, ele será expulso”, disse Rui Falcão (Foto), presidente da legenda, segundo a EBC.
O PT entrou na vida política brasileira com a bandeira da “ética na política”. O lema foi abandonado há muito tempo. Agora, o documento era para tentar reduzir o estrago de tantas denúncias que produziram o momento ruim do partido. Apesar da quarta vitória consecutiva para a presidência, a legenda está preocupada com o crescimento do antipetismo, que pode crescer e ser prejudidicial ao partido no futuro. Perdeu votos e representação nas últimas eleições, embora tenha ganhado a presidência e o governo de Minas Gerais. Nas pesquisas declinou significativamente o percentual daqueles que o apontam como o partido de sua preferência.
É difícil para o PT reverter a rejeição que aparece sob a forma de antipetismo porque diariamente surgem novos detalhes do maior escândalo da história do país em termos de valores desviados, apelidado de “Petrolão”. O caso faz o recall do mensalão e dá aos eleitores, não militantes, uma sensação de já ter visto esse filme antes. Só a título de exemplo, parte do PT comportou-se muito mal ao tratar os envolvidos no escândalo do mensalão do partido. Apesar de ter expulsado o então tesoureiro da legenda Delúbio Soares, outros integrantes no esquema, como José Dirceu, não tiveram o mesmo fim.
Pior: alguns militantes e medalhões petistas trataram os condenados no mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como “heróis do povo brasileiro”. Segundo essa linha de raciocínio, eles foram vítimas de um injustificável “julgamento político”.
E isso aconteceu em uma Corte dominada por indicações do próprio PT e com o partido vitorioso nas urnas pela segunda vez. Ou seja, com o poder executivo do país nas mãos. Diante da maneira como trataram os condenados pelo “mensalão” fica claro que essa resolução do PT não é para valer. Nem imediatamente, nem depois. É como se diz na lenda brasileira “para inglês ver”. Ou melhor, para ver se os não petistas acreditam que é apenas uma questão de tempo.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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