Joaquim Levy e Nelson Barbosa são finalmente anunciados para a Fazenda e Planejamento

27/11/2014 15h45m. Atualizado em 28/11/2014 09h03m

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Os economistas Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini foram (finalmente!) anunciados como a nova equipe econômica para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.
Após uma novela de mais de uma semana, o Palácio do Planalto confirmou oficialmente, em nota, que Levy assumirá a Fazenda, Barbosa o Planejamento e Tombini permanecerá à frente do Banco Central.
Os novos ministros deram uma coletiva na tarde desta quinta-feira (27), quando informaram alguns detalhes dos ajustes das contas públicas. Medidas específicas já estão sendo preparadas, especialmente no campo fiscal. Tanto Levy quanto Barbosa responderam que é preciso estabilidade fiscal para garantir os avanços sociais.
Apesar disso, cada ministro fez seu papel. O ministro Joaquim Levy falou para o mercado e para os preocupados com os gastos públicos. Deu bons sinais. O ministro Nelson Barbosa avisou que os investimentos públicos continuam. E o presidente do Banco Central avisou que continuará perseguindo a meta de inflação. Houve diferenças de tons, e alguns pontos de contato. Levy, por exemplo, fugiu dos questionamentos sobre independência do Banco Central. Portanto, ainda é cedo para dizer se eles funcionarão como equipe.
Enquanto não assumem oficialmente as pastas, Levy e Barbosa vão despachar no Palácio do Planalto — durante o período de transição.
Já disse aqui e repito: apenas se Levy tiver liberdade para montar uma equipe forte, poderá atender às expectativas de mudança que se formam sobre ele. A crise econômica é muito grande e há necessidade de várias mudanças de rumo.
PERFIS
Levy foi funcionário público, ficou oito anos no FMI, trabalhou na equipe de Pedro Malan, mas chegou a postos de destaque na primeira equipe do governo Lula sob o comando de Antonio Palocci, que sempre foi considerada tecnicamente competente, e não ligada a partidos. Foi também secretário de Fazenda do Rio de Janeiro e agora estava no mercado financeiro, mais especificamente na gestora de recursos do Bradesco. A dúvida continua sendo se ele terá poder para tomar decisões. A reação do mercado, antes do Planalto voltar atrás, foi boa, a bolsa subiu e a Petrobras teve forte recuperação.
Já Nelson Barbosa é próximo da presidente Dilma. Sempre defendeu o projeto econômico do governo. Ficou dez anos, primeiro no Planejamento e depois na fazenda e saiu em 2013.
Em recente trabalho publicado na Fundação Getúlio Vargas, onde é professor, Nelson Barbosa analisou o cenário econômico para os próximos quatro anos e defendeu maior investimento em políticas sociais, como transporte público, saúde, educação e moradia.
Barbosa defendeu ainda a continuação de políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e criticou as frequentes intervenções do Banco Central no controle do câmbio.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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