Em livro, jornalista revela bastidores do Caso Pedrinho

27/11/2014 13h09m. Atualizado em 09/12/2014 21h18m

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Recém-nascido sequestrado em hospital particular da capital federal. A história que estampou as manchetes dos jornais e comoveu Brasília por 16 anos pode ser conferida em livro desde 22 de outubro. O caso Pedrinho, do jornalista Renato Alves, conta detalhes do episódio mais famoso no Brasil de um bebê levado de maternidade. “Diferentemente da maioria dos meus colegas de profissão, nunca fiz planos de publicar um livro, até amigos da Redação me instigarem a colocar no papel os bastidores desse caso. Refletindo, percebi que tinha na memória e nos meus blocos de anotações o roteiro pronto de uma trama que nenhum novelista ou roteirista de cinema seria capaz de criar”, conta o autor, repórter do Correio Braziliense.

A obra — que chegou às lojas primeiramente no formato digital, o e-book — esmiúça a vida dos principais personagens dessa história, os pais biológicos de Pedro, Jayro e Lia, e da mulher que o tirou da maternidade, Vilma Martins Costa. As 240 páginas relembram o drama da família brasiliense que, em 21 de janeiro de 1986, não pôde celebrar o nascimento do bebê saudável e gordinho. Enquanto se recuperava do parto, a mãe teve a criança roubada dos braços por uma mulher que entrou no quarto disfarçada de enfermeira.

Moradora de Goiânia, a sequestradora simulou uma gravidez e levou a criança de Brasília com a intenção de forçar o companheiro, que era casado, a ficar com ela. Osvaldo Martins Borges se separou da família e criou Pedrinho com Vilma, na capital goiana, como se fosse seu filho legítimo. O menino cresceu a pouco mais de 200km dos pais biológicos. A farsa só foi descoberta em 2002, após a morte de Osvaldo. Em 8 de novembro daquele ano, um teste de DNA confirmou a suspeita de crime. Pedrinho tinha sido registrado por Vilma como Osvaldo Martins Borges Júnior.

Renato Alves (Foto) foi o primeiro jornalista a entrevistar os personagens da história que inspirou a novela Senhora do Destino, sucesso de Aguinaldo Silva, lançada em 2004. No livro, cuja edição impressa deve ser lançada em 2015, o jornalista relembra a busca incansável dos pais biológicos por Pedrinho. “Dediquei cinco anos a pesquisa, escrita, revisão e edição do livro. São 12 anos de cobertura”, revela o autor.

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Ao longo desse tempo, ele ouviu delegados que atuaram no caso, familiares, e acompanhou o desenrolar dos processos movidos contra a sequestradora, também acusada de roubar uma menina em Goiânia. Vilma acabou condenada a 19 anos de prisão. Em 2008, depois de cumprir cinco anos da pena, teve a liberdade condicional concedida pela Justiça de Goiás. Ela foi a única personagem que o jornalista não conseguiu entrevistar para O caso Pedrinho. Vilma nunca confessou nenhum dos crimes atribuídos a ela. “Mais do que um projeto pessoal, esse livro pretende dar uma esperança a todos aqueles que têm um parente desaparecido por meio da história de fé e da busca incansável de pais brasilienses”, afirma Renato.

O jornalista, nascido em Sete Lagoas (MG), tem 15 anos de profissão, 14 deles no Correio Braziliense, período em que ganhou alguns do mais importantes prêmios do jornalismo nacional, como o Esso e o Embratel. Além do Caso Pedrinho, Renato cobriu a tragédia provocada pelo terremoto que devastou o Haiti, a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a reconstrução da base brasileira na Antártica, em 2012, entre outros grandes fatos nacionais e internacionais.

A obra

Título: O caso Pedrinho – A história dos pais em busca do filho desaparecido por dezesseis anos e os bastidores da investigação policial e da cobertura jornalística

Autor: Renato Alves

Formato: e-book

Número de páginas: 240

Editora: Geração Editorial

Preço: R$ 19,90

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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