Ferguson vive colapso social após absolvição de policial que matou jovem negro

26/11/2014 08h03m. Atualizado em 27/11/2014 12h25m

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Nova onda de protestos em Ferguson, St. Louis, no Missouri, levou a cidade a ser colocada em estado de alerta nesta quarta-feira (26), após o policial branco que matou um jovem negro desarmado ser absolvido pela justiça.
Darren Wilson afirmou ao júri que temia por sua vida quando disparou a arma em 9 de agosto contra o jovem negro Michael Brown, morto por seis tiros.
O júri de St. Louis concluiu nesta quarta (24), estopim das manifestações, que não há provas suficientes para processá-lo. O anúncio foi realizado pelo promotor Robert McCulloch. Segundo ele, o júri afirmou que os testemunhos mostraram inconsistências.
A situação piorou após o policial comemorar — afirmando que tinha “a consciência limpa” e que voltará a agir da mesma forma se a situação se repetir.
Dezenas de casas foram queimadas e um carro de polícia virado (imagem acima), em Ferguson, mesmo após o prefeito da cidade, Francis Slay, avisar que a violência não seria tolerada. “O mundo estará nos olhando”, disse.
Slay estava certo. Jornais de vários países noticiaram a violência nesta quarta, como o Le Monde, que definiu a situação como uma “fratura exposta”.
The Daily Mail, The Independent, e os sites Dashable e QZ, deram detalhes dos protestos, como imagens de alguns manifestantes em confronto e jogando cones na sede da Polícia.
Outros protestos aconteceram nas cidades de Nova York, Chicago, Los Angeles, Washington e Oakland, na California, além de outras cem em todo o país.
Em Los Angeles, alguns protestantes cercaram e subiram em carros da policia, enquanto em Nova York três mil foram às ruas.
O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu calma à população lembrando que a família do jovem negro, que mais sofre, pedia protestos pacíficos.
O Globe and Mail escreveu que “a violência talvez só seja amenizada pelo sentimento de irmandade que envolve os Estados Unidos no feriado de Ação de Graças, nesta quinta-feira (27).”
As cenas parecem o fim do sonho de que a eleição de Obama significaria o começo da era pós-racial nos Estados Unidos. Infelizmente, a sociedade americana, e tantas outras, ainda têm discriminação pela cor da pele.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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