Na madrugada, nova fórmula para meta fiscal é aprovada em reunião “catimbada”

25/11/2014 08h30m. Atualizado em 25/11/2014 08h33m

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A base governista mudou a tática e, em vez de partir para o confronto com a oposição, passou boa parte das cerca de quatro horas de sessão apenas ouvindo as críticas dos oposicionistas para, depois, garantir com a maioria a aprovação da nova fórmula encontrada pelo governo para aprovar os gastos públicos, na Comissão Mista do Orçamento, no início da madrugada desta terça-feira (25).

Durante o debate, a oposição classificou a proposta como um “cheque em branco” a ser dado pelo Congresso ao governo da presidente da República, Dilma Rousseff, e criticou a irresponsabilidade fiscal da medida e ressaltou a “falência” do modelo econômico do Partido dos Trabalhadores.

A oposição ainda contestou a primeira tentativa de votação da proposta. O presidente da Comissão, deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que não havia dado a palavra aos líderes do partido, teve de voltar atrás e refazer a votação, confirmando o resultado favorável ao governo. O relator Romero Jucá (PMDB-RR) rejeitou a totalidade dos destaques apresentados (alterações sugeridas por outros parlamentares) e gerou novos protestos da oposição.

Jucá fez um acerto na redação e substituiu a expressão “meta de superávit”, da proposta original, por “meta de resultado”, o que levanta mais especulações sobre a possibilidade de as contas públicas de 2014 apresentaram um déficit fiscal.

O projeto aprovado autoriza o governo a não cumprir os R$ 116,07 bilhões previstos por ele próprio como meta de economia para 2014. Não há imposição de nova meta, o governo quer ter um “cheque em branco” para gastar o que for necessário sem se preocupar com os limites impostos pela Lei da Responsabilidade Fiscal.

Na sexta-feira (21), o ministério do Planejamento fez nova previsão de superávit para R$ 10,1 bilhões, que funcionará, na prática, apenas a título de palpite e para acalmar o mercado financeiro que já acredita na possibilidade de o país terminar 2014 no vermelho.

A apreciação da proposta pelo plenário do Congresso está marcada para 15h desta terça-feira (25). Antes os parlamentares precisam apreciar os vetos presidenciais.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

1 Comentário para "Na madrugada, nova fórmula para meta fiscal é aprovada em reunião "catimbada""

  • Paulo G 25-11-2014 (10:01 am)

    A quadrilha que instalou no Brasil o governo mais corrupto de nossa história continua agindo nas sombras e comprando apoio.

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