Alguém achou que estaria no banco? Líder do PT diz que quebra sigilo bancário, após ser acusado de receber R$ 1 milhão

24/11/2014 09h21m. Atualizado em 24/11/2014 10h07m

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No fim de semana, o jornal O Estado de S.Paulo afirmou que consta da delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa a acusação de que o líder do PT no Senado, Humberto Costa, recebeu R$ 1 milhão para sua campanha em 2010.

Neste domingo (23), o ex-ministro da Saúde, Humberto Costa divulgou à imprensa uma nota de esclarecimento rebatendo às acusações e disponibilizando a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico.
O blog acredita e leva em conta a defesa de Humberto Costa. Mas questiona a eficiência da quebra de seu sigilo bancário para provar sua inocência: em que hipótese um dinheiro recebido de forma irregular para campanha eleitoral iria parar na conta pessoal do senador?
Dinheiro de caixa dois é dinheiro vivo, não se transfere de forma legal. É por isso que os doleiros sempre aparecem como parte fundamental desse tipo de esquema, como é investigado na Petrobras.
Paulo Roberto Costa disse, segundo o Estadão, que o dinheiro pago a Humberto Costa saiu da cota de 1% do Partido Progressista (PP), que tinha o controle político da diretoria de Abastecimento. Mas o jornal não explica como foi parar com Humberto Costa do PT uma cota que seria do PP.

Segue a íntegra da nota de esclarecimento enviada à imprensa por Humberto Costa
Em relação à publicação do jornal o Estado de São Paulo deste domingo que relata supostas acusações do sr. Paulo Roberto Costa dirigidas a mim em delação premiada, afirmo que:,

1. Todas as doações de campanha que recebi na minha candidatura ao senado em 2010 foram feitas de forma legal, transparente, devidamente declaradas e registradas em minha prestação de contas à justiça eleitoral e inteiramente aprovadas, estando disponíveis a quem queira acessá-las;

2. Assim, nego veementemente ter pedido a quem quer que seja que solicitasse qualquer doação de campanha ao sr. Paulo Roberto;

3. Tal denúncia padece de consistência quando afirma que a suposta doação à campanha teria sido determinada pelo Partido Progressista (PP) por não haver qualquer razão que justificasse o apoio financeiro de outro partido à minha campanha;

4. Mais inverossímil ainda é a versão de que se o sr. Paulo Roberto não tivesse autorizado tal doação, correria o risco de ser demitido, como se eu, à época sem mandato e tão somente candidato a uma vaga ao Senado, tivesse poder de causar a demissão de um diretor da Petrobrás;

5. Causa espécie o fato de que ao afirmar a existência de tal doação, o sr. Paulo Roberto não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido;

6. Conheci o sr. Paulo Roberto em 2004 e minha relação com ele se deu no campo institucional, no processo de implantação da refinaria de petróleo em Pernambuco, do qual participei assim como vários políticos, empresários e representantes de outros segmentos da sociedade pernambucana o fizeram;

7. Conheço e sou amigo de infância do sr. Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (ASSINPRA), que também foi partícipe da mesma luta pela refinaria. Porém, em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos ao Sr. Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010.

8. Tenho uma vida pública pautada pela honradez e seriedade, não respondendo a qualquer ação criminal, civil ou administrativa por atos realizados ao longo de minha vida pública;

9. Sou defensor da apuração de todas as denúncias que envolvam a Petrobras ou qualquer outro órgão do Governo. Porém, entendo que isso deve ser feito com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas. O fato de o sr. Paulo Roberto estar incluído em um processo de delação premiada não dá a todas as suas denúncias o condão de expressar a realidade dos fatos.

10. Aguardo com absoluta tranquilidade o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre o teor de tais afirmações, ocasião em que serão inteiramente desqualificadas. Quando então, tomarei as medidas cabíveis.

11. Informo ainda que me coloco inteiramente à disposição de todos os órgãos de investigação afetos a esse caso para quaisquer esclarecimentos e, antecipadamente, disponibilizo a abertura dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Recife, 22 de novembro de 2014,

Humberto Costa
Senador da República

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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