Dilma tenta virar escândalo da Petrobras a seu favor: Brasil vai sair mais forte

21/11/2014 12h44m. Atualizado em 30/11/2014 22h15m

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A presidente reeleita Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (21) que o Brasil vai sair “mais forte” do escândalo da Petrobras, que apareceu como um terremoto em 17 de março no noticiário nacional.
Dilma argumenta que o Brasil esse fortalecimento se deve ao fato de agora se “respeitar as regras do Estado de Direito” e não haver interferência do governo federal. Convém ressaltar que falou apenas do seu mandato.
“Falamos a verdade quando destacamos que o combate a corrupção nunca foi tão firme e severo como agora no meu governo. Não foi tão firme e severo […] por duas características que tornam esse momento inédito: a Polícia Federal e o Ministério Público, instituições do Estado Brasileiro, estão investigando corruptos e corruptores e não há qualquer tipo de pressão do governo para inibir as investigações”, disse Dilma para a platéia na Conferência Nacional de Educação (Conae).
Dilma não citou o antecessor Lula, que manteve o mesmo discurso durante a investigação do Mensalão do PT. Durante a campanha chegou a dizer que a Polícia Federal era do seu governo e não órgão de estado.
Há muitos que concordam com a presidente, como mostrou a apertada eleição. Em artigo publicado nesta quinta-feira em um jornal de circulação nacional o empresário Ricardo Semler, apesar de dizer-se tucano de carteirinha e declarar voto em Aécio Neves, segundo colocado nas eleições, seguiu a linha de raciocínio de Dilma. “Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, nesse quesito [o do combate a corrupção]”.
Mesmo com esse discurso semelhante ao de Dilma, Semler entendeu nas eleições que o Brasil precisava de mudança — já que “Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, [como] o aceite do sistema corrupto e políticas econômicas”.
No discurso ao Conae a presidente manteve o “tom eleitoral” de que a situação econômica do Brasil está sob controle e que agora têm sido divulgados indicadores que confirmam suas afirmações.
“Com o fim da campanha eleitoral a verdade começa a aparecer com mais clareza. A inflação está sob controle, há sinais de recuperação do crescimento e a renda do trabalho continua subindo. Soubemos essa semana que a taxa de desemprego de outubro foi de 4,7%, a mais baixa de toda a série para este mês”.
O desemprego caiu sim, mas Dilma continua a usar os dados mais restritos de desemprego, o da PME, e não os da Pnad contínua cuja taxa está em 6,8%.
A “verdade” é: a situação econômica não está sob controle e a confusão dos resultados fiscais é uma prova disso. Está na hora de encarar a realidade. “Sem ler” os fatos econômicos, por exemplo, é difícil que o país saia fortalecido. A avaliação de Dilma parece mais saída de livros de auto-ajuda.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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