No Futebol, o mando do campo é branco. Mas o futuro está chegando

21/11/2014 09h23m. Atualizado em 21/11/2014 17h08m

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Por Gabriela Moreira

Matheus Pedro, 8 anos, e Klayve Souza, 12, (Foto) saíram de Santa Lúcia, Duque de Caxias, para ver o Fluminense jogar no Maracanã. É dia da Consciência Negra. Eles, ambos negros, avistam Cristóvão Borges (Foto) saindo do vestiário e se apressam para uma foto.

Observo com o pensamento no futuro. Que bela imagem e modelo tem Matheus, o mais novo. Que privilégio tirar foto com um dos poucos técnicos negros no futebol brasileiro. Pena que muitos outros meninos negros como os dois não se reconhecem à beira do campo.

Cristóvão Borges resiste. É um dos poucos negros à beira do campo, com a prancheta nas mãos. O futebol, senhores, é espaço dos brancos. Legado de um passado não discutido.

Fora, é com os que detém o poder. Na CBF, nos conselhos de clubes, entre dirigentes e técnicos. Uma hegemonia branca. Os negros que fiquem dentro do campo.

Na noite da Consciência Negra, quis o futebol que Cristóvão saísse vaiado de campo. Seu Fluminense perdeu por 4 a 1 para a Chapecoense pelo campeonato brasileiro. Quis lhe perguntar como se sentia sozinho à beira do campo. Desisti. Que fique com os desafios do futebol por essa noite.

Gabriela Moreira

Gabriela Moreira é repórter da ESPN e colaboradora do blog

3 Comentários para "No Futebol, o mando do campo é branco. Mas o futuro está chegando"

  • Daniel Silva Lopes 21-11-2014 (12:24 pm)

    Gabriela, texto belo e forte. Parabens! Acompanho o teu trabalho na espn sempre que as viagens permitem. A tua abordagem jornalística é completa: apuração precisa, fontes confiáveis, texto elegante, esmiuçando o esporte e todas as suas facetas.
    Aprecio, em especial, a importância que você dá ao aspecto social e político em suas matérias/textos, sem relegar a emoção à linha de fundo. Espero que você esteja se sentindo realizada e apreciada pelo excelente trabalho, pois ele é escasso nos grandes veículos de comunicação (exceto pela espn e algumas outras raridades). Não sou de comentários, não tenho redes sociais, mas sinto que muitos de vocês recebem críticas demais (muitas delas ofensivas e infundamentadas) e poucos elogios pelo dedicado trabalho. Essa é apenas uma observação e uma pequena demonstração de que há diversas pessoas que que gostam e admiram profissionais como você. Uma vez mais, parabens, continue com esse mesmo empenho e seriedade, e sucesso.

  • Antonio Marcos 21-11-2014 (1:35 pm)

    Muito bem colocado, Daniel! Parabéns, Gabriela! Já não me sinto solitário no que diz respeito às impressões sobre o racismo no futebol. Um salve pra Cristóvão, Jaime e Andrade!!! Abraço Cordiébano!!!

  • Gabriela Moreira 23-11-2014 (12:26 pm)

    Daniel e Antonio, muito obrigada pelos comentários.
    Daniel, você tocou no ponto. Acho que as redes sociais têm sido palco muito mais da raiva e do radicalismo, do que de palavras como a sua. Longe de mim querer apenas palavras doces, mas às vezes fico assustada com a violência e ofensas que vemos por aqui.
    Quanto à abordagem, a ideia é essa, mesmo. Afinal, mesmo de chuteiras e bandeiras nas mãos somos todos pequenas células da representação social e política. Embora, lamentavelmente, os personagens (jogadores) estejam cada vez mais embrulhados nos pacotes das assessorias e formadores de respostas. Obrigada, mesmo, pelo incentivo e olhar atento.

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