Financial Times diz que Dilma enfrenta tempestade gerada por ela mesma

19/11/2014 20h55m. Atualizado em 30/11/2014 22h16m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

O jornal mais influente no mundo econômico europeu afirmou nesta quarta-feira (19) que a presidente Dilma Rousseff enfrenta uma tempestade ocasionada, em grande parte, por ela mesma.
A análise é do jornalista Joe Leahy, correspondente do Financial Times, que classifica o “mau tempo” do Brasil como “tempestade perfeita”. O jornalista cita o escândalo da Petrobras, o déficit das contas públicas, o aumento da dívida, a desvalorização do real, a inflação alta, a economia sem crescimento e (ufa!) a ameaça nas notas de investimentos.
Para explicar melhor aos leitores, Leahy comparou Dilma ao ex-treinador da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari, pouco antes do Mineiraço em que a “canarinho” tomou de 7 x 1.
Durante a última Copa do Mundo, após vencer a Colômbia, Felipão perdeu duas peças fundamentais do time — o craque Neymar e capitão Thiago Silva. Para Leahy, Dilma também perdeu duas estrelas: o fim do “boom das commodities”, queda do superciclo de exportação de matérias-primas, além da desvalorização da Petrobras.
O correspondente lembra que o escândalo da estatal ultrapassou as barreiras do país e espalhou-se pelo mundo após autoridades norte-americanas iniciarem investigação sobre a estatal.
O jornal diz que a tempestade ainda pode piorar com as investigações avançando sobre os aliados políticos da presidente. Também pode melhorar se o ministro da Fazenda Guido Mantega for trocado por um nome de credibilidade no mercado financeiro.
Leahy termina dizendo que, em caso de fracasso, Dilma pode ter o mesmo fim que o Felipão. “Ele renunciou e hoje treina o Grêmio, time da cidade de Porto Alegre, sul do Brasil”, escreveu. “Local, aliás, onde Dilma iniciou sua carreira política. Se ela não conseguir mudar o jogo, eles poderão em breve se encontrar nas partidas locais de futebol”, finaliza.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

    Comente

    O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.