Desvio na Petrobras pode chegar a R$ 23 bilhões, dizem jornais desta quarta (19)

19/11/2014 08h40m. Atualizado em 19/11/2014 11h22m

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Os jornais ocupam, de novo, grande parte da primeira página com as muitas notícias do caso Lava Jato, como a decisão do juiz Sérgio Moro de manter alguns investigados na prisão, mas buscaram material próprio nesta quarta-feira (19). O Globo traz a informação de que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) detectou que as empresas e pessoas investigadas fizeram movimentação suspeita de R$ 23,7 bilhões.
O Valor Econômico conta que a Petrobras há três meses paralisou o pagamento e aprovação de novos aditivos a contratos de qualquer obra. Isso faz com que várias empresas estejam sem receber pagamento por serviços prestados, algumas já abandonando a área de trabalho nas refinarias em construção. Coincide com o início da operação Lava Jato. Em nota, a Petrobras nega, mas o valor falou com as empresas que são às vezes contratadas das empreiteiras que realizam as obras. E diz que a crise da empresa pode ter impacto no PIB pelo volume de investimentos suspensos.
O destaque do Estadão é a afirmação do empresário Sérgio Mendes de que pagou R$ 8 milhões de propina para o esquema. A notícia foi divulgada nesta terça-feira (18) pelo advogado da Mendes Júnior, Marcelo Leonardo. O jornal diz que as perdas da estatal com desvios, segundo estimativas de bancos, podem ter chegado a R$ 21 bilhões, informação que se aproxima dos números do COAF. O Morgan Stanley fez o cálculo com base na informação revelada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa de que as propinas representaram 3% do que foi investido pela empresa nos últimos anos.
A Folha fez sua manchete sobre a notícia das decisões do juiz Sérgio Moro que liberou alguns dos investigados da prisão, mantendo restrições como o de sair do país, e renovando a prisão de outros. O ex-diretor de serviços Renato Duque por exemplo teve sua prisão temporária transformada em preventiva por 20 dias.
Além disso os jornais destacam a quebra de sigilo do tesoureiro do PT na CPI, a situação difícil em que está o atual diretor de abastecimento José Cosenza. Em todos os jornais, o noticiário sobre o assunto ocupa várias páginas.
Destaque também para a aprovação na Comissão Mista do Orçamento no fim do dia de ontem da proposta fiscal do governo. O que era a obrigação de ter uma meta de superávit virou meta de resultado fiscal. Ou seja, a Comissão com o rolo compressor do governo aprova o direito de o governo terminar o ano no vermelho.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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