CPI quebra sigilo de tesoureiro do PT, convoca Duque, Sérgio Machado e marca acareação

18/11/2014 21h05m. Atualizado em 19/11/2014 09h37m

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Por 12 votos a 11, a CPI Mista da Petrobras aprovou, nesta terça-feira (18), as quebras dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
A CPI da Petrobras também aprovou a convocação do ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque, preso na sétima fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Os parlamentares aprovaram ainda a convocação de Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro, subsidiária da Petrobras.
A CPI Mista da Petrobras, com participação mais ativa da oposição, aprovou ainda uma reunião de acareação entre os ex-diretores de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o ex-diretor Internacional Nestor Cerveró.
O autor do requerimento, deputado Enio Bacci (PDT-RS), alegou que, em depoimento à Polícia Federal, Costa fez diversas acusações contra Cerveró.
Nestor Cerveró esteve na CPI em setembro, quando rebateu a acusação de envolvimento em casos de corrupção na Petrobras. Na ocasião, disse desconhecer qualquer participação direta de Paulo Roberto Costa nos acertos empresariais para a compra da refinaria de Pasadena (EUA), que trouxe prejuízos ao Brasil de mais de U$ 500 bilhões. Por isso, Bacci considera essencial colocar um diante do outro, numa tentativa de esclarecer as dúvidas sobre os fatos investigados.
“Por que não colocá-los frente a frente? Isso não é o momento de fazer economia. Não vem com discurso que trazer alguém aqui é gastar dinheiro público”, argumentou o deputado em matéria da Agência Senado.
Tanto a CPI Mista, como a CPI do Senado, apelidada de “governista”, são comissões onde quase nada avançou, e nenhum grande fato foi descoberto. Agora, a Mista, parece querer correr contra o tempo.
No passado recente, as CPIs foram instituições importantes para o fortalecimento da democracia. Algumas tiveram resultados rápidos, como o da CPI das Ambulâncias que apresentou relatório em dois meses. Nele, havia o pedido de abertura de processo contra mais de 80 parlamentares envolvidos na chamada Máfia dos Sanguessugas.
Outras CPIs provocaram a renúncia de deputados que desviaram recursos do orçamento ou por envolvimento com o narcotráfico. A própria Comissão que investigou o Mensalão do PT abasteceu o Ministério Publico para oferecer fundamental denúncia.
O esforço desta terça pode até mudar os rumos da CPI Mista da Petrobras, mas, ao continuar o ritmo dos últimos meses, não passará de um teatro sem resultados práticos.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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