Quinta-feira, 20, é dia da consciência negra. O Brasil tem começado a ver o problema

18/11/2014 12h45m. Atualizado em 30/11/2014 22h17m

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Na última PNAD a população brasileira se declarou majoritariamente negra. No grupo – 54% dos brasileiros – estão juntos diversos tons de pele que se enquadram na classificação pardos e pretos. Não é que o Brasil tem ficado mais negro, ele ficou mais consciente.
Nos últimos anos, o Brasil passou por uma acirrada discussão sobre cotas raciais nas universidades para a compreensão da amplitude do problema.
Na discussão de cotas, o debate ficou muito polarizado com o grupo contrário dizendo que o Brasil com isso iria “criar” um racismo até então inexistente; o outro, defendendo maior espaço para os afrodescendentes dentro de universidades públicas dentro da ideia das ações afirmativas. O debate acabou nos tribunais e o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou que elas são constitucionais.
Ter mais vagas nas universidades públicas é apenas uma parte do problema. O Brasil tem um enorme trabalho a fazer para que haja maior presença de pretos e pardos em postos de destaque nas empresas, no meio acadêmico, na representação política, no jornalismo, nas artes.
A discussão não é um fla-flu, é a consciência de que há um longo trabalho a ser feito para que se derrube os muros do preconceito. Ele vai desde os desfiles de moda onde são hegemônicas as modelos brancas até a dramática estatística de morte violenta dos jovens negros.
Incluir cada vez mais os negros brasileiros em todas as esferas de poder e influência, derrubar os muros dos preconceitos tornará o Brasil mais forte.
Quem está de malas prontas para vir para o Brasil e participar dessa comemoração é Graça Machel, viúva do grande e inspirador líder Nelson Mandela. Ela virá para um encontro da Afrobrás em São Paulo da Universidade Zumbi dos Palmares (imagem abaixo), líder do maior dos quilombos do período colonial. O dia 20, em que se lembra Zumbi, é visto como um dia dos negros. O correto é que ele seja visto como um herói brasileiro.

EBC

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Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.