Marta Suplicy pode perder mandato no Senado se deixar PT por PMDB

18/11/2014 10h19m. Atualizado em 18/11/2014 10h19m

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Marta Suplicy, que entregou carta de demissão à presidente da República, Dilma Rousseff com críticas à política econômica do governo, quer concorrer à prefeitura de São Paulo em 2016 e não esconde mais que, para cumprir seu objetivo, pode até mudar de partido. Todavia, o TSE pode complicar a vida de Marta Suplicy, há um entendimento que o mandato do parlamentar pertence ao partido e mudança de filiação partidária no meio do mandato pode levar, com algumas exceções, à perda do mandato.
Na semana passada, Marta Suplicy foi recebida em jantar, na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, com a presença dos caciques do partido. A reunIão serviu para esquentar a especulação de que Marta estaria com as malas prontas para o PMDB.
Marta teria procurado Luiz Inácio Lula da Silva para defender a substituição da candidatura de Fernando Haddad pela dela nas eleições 2016, mas a resposta do ex-presidente não a agradou. Lula teria dito a Marta que a preferência do partido é pela reeleição e exemplificou que ele mesmo havia aberto da mão de sua candidatura em 2014 em favor de Dilma. Marta já foi deixada de lado na época da eleição de Haddad e ela é grande puxadora de votos.

No PMDB, defensores de Gabriel Chalita não vêem com bons olhos a candidatura de Marta pelo partido.
De acordo com a lei, o mandato do parlamentar pertence às agremiações partidárias e a mudança de partido só pode ocorrer em alguns casos, de acordo com o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral.
Em um parecer sobre o tema, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, explica que um dos motivos que o TSE pode permitir a mudança de partido é quando a permanência se torne “insuportável”. “Seja pela mudança profunda de orientação ideológica da agremiação, seja pelo cometimento de atos que o impedem de exercer adequadamente o mandato popular ou os direitos de filiado”.

Série de notas na coluna da Monica Bergamo nesta terça-feira (18) repercute o assunto

PALAVRAS, PALAVRAS
A possibilidade de Marta Suplicy sair do PT é tida como remota no meio político, inclusive entre dirigentes do PMDB, partido para o qual ela diz que pode migrar. A primeira razão: se deixar a atual legenda, a petista corre o risco de perder o mandato de senadora.
JANELA
 A lei prevê que um político só mantém o mandato se migrar para uma legenda nova, o que não é o caso do PMDB. Ou se alegar que é discriminado e perseguido. O PT, caso Marta chegue a esse extremo, dirá que a acusação não se sustenta. Além de eleita vice-presidente do Senado com suporte do partido, ela foi ministra do governo Dilma Rousseff com apoio da legenda e teria pedido demissão do cargo porque quis.
ALVO PREFERENCIAL
 No PMDB também há resistências a Marta Suplicy: ela saiu atirando no governo Dilma Rousseff, do qual o peemedebista Michel Temer é vice-presidente.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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