Manchetes do dia: Repercussão do escandâlo da Petrobras no Estadão e Folha. O Globo aponta possibilidade de o setor elétrico ser atingido pelo esquema

17/11/2014 09h21m. Atualizado em 17/11/2014 09h57m

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Os desdobramentos da Lava Jato ocuparam, por mais um dia, as manchetes dos grandes jornais, nesta segunda (17). A manchete da Folha “Executivos presos tentarão delação, prevê procurador” repercute declarações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o escandâlo na Petrobras. A manchete do Globo “PF investigará corrupção também no setor elétrico” sugere que escândalo pode atingir outra grande estatal do país, a Eletrobras, a partir de um planilha da obra de Jirau encontrada com um ajudante do doleiro Alberto Youssef. O consórcio que ganhou Jirau foi organizado pela Camargo Correa. A manchete do Estadão “Petrobras diz que denúncias podem afetar resultados” mostra que a empresa admite impacto financeiro na empresa após desdobramentos do escândalo.
De acordo com O Globo, uma planilha encontrada com João Procópio de Almeida Prado, possível braço-direito de Alberto Youssef, pode indicar que o esquema operado pelo doleiro tenha chegado também ao setor elétrico do país. O documento suspeito é intitulado como “Demonstrativo de Resultado – Obra Jirau”, com a contabilidade da Camargo Corrêa na obra da hidrelétrica construída no Rio Madeira, em Rondônia, que recebeu financiamento de R$ 7,2 bilhões do BNDES.
A Camargo Corrêa vendeu sua participação na obra em 2012. Procurada, a Camargo Corrêa informou que João Procópio de Almeida Prado “jamais prestou serviços” para a construtora e que desconhece a planilha encontrada com ele.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, declarou à Folha que acredita que as prisões dos executivos de empreiteiras trarão novas delações premiadas ao caso. O procurador incentiva o acordo de delação premiada e diz que vai recomendar prisão domiciliar aos que ajudarem à Justiça a elucidar como acontecia o esquema de corrupção que envolveu a Petrobras e as maiores construtoras do país.
O procurador avalia que, em princípio, os presos devem ser indiciados por fraude em licitação, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado e corrupção ativa.
Rodrigo Janot atribuiu “vazamento seletivo” de informações das delações ao advogado de Alberto Youssef, que, segundo Janot, é ligado ao PSDB do Paraná.
“Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação”, disse o procurador.

O Estadão repercutiu o anúncio que a Petrobras publica na edição desta segunda (17) nos jornais, segundo o qual as denúncias contra a empresas feitas em delação pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, se comprovadas, “podem impactar potencialmente as demonstrações contábeis da companhia”. Na avaliação do Estado de S.Paulo, a Petrobras admite que terá que modificar seu balanço financeiro após as investigações.
Após adiar a divulgação da prestação de contas do terceiro trimestre, a Petrobras optou por divulgar, nesta segunda-feira (17), apenas as informações operacionais positivas. A apresentação destacará a alta de 9% da produção no trimestre, na comparação com 2013.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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