Michel Temer repudia cerceamento à imprensa e Constituinte para reforma política

16/11/2014 16h50m. Atualizado em 16/11/2014 17h09m

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Em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, neste domingo (16), o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, repudiou duas ideias sempre repetidas pelo Partido dos Trabalhadores (PT): a regulação da mídia e a formação de uma Constituinte exclusiva para a reforma política.
Constitucionalista especialista em processo legislativo, Michel Temer classificou a ideia de constituinte exclusiva para reforma política como “elitista” por ” fazer supor que existem pessoas mais preparadas” para fazê-la do que os deputados e senadores eleitos para alterar as leis. E foi categórico ao se manifestar contrário a ideia.: “Eu repudio”, disse.
Michel Temer disse que vai verificar de perto as propostas do governo de “regulação econômica” da mídia. Ele frisou que o PMDB sempre defendeu a mais ampla liberdade de imprensa. Segundo Temer, a presidente da República, Dilma Rousseff também é contra o cerceamento da liberdade de imprensa.
“eu acho que não há nenhum risco”, garantiu o vice-presidente.

Leia íntegra da entrevista do Estadão com Michel Temer

● Fala-se em mudanças na área econômica. Qual é o perfil que o sr. deseja para a nova equipe? Acho que ela deve cuidar de um desenvolvimento que resulte necessariamente no incremento da indústria e do comércio. As medidas centrais, exatamente, não sei quais serão. Mas acho que essa será a tônica daqueles que vão conduzir a economia do País.
● Isso significa que deve ser uma pessoa do mercado?
Se for uma pessoa do mercado, que seja admitida pelo mercado, será útil para o governo. Agora, não sei quem será, né?
● Fala-se muito no nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Mas dizem alguns que a presidente não gosta muito dele.
Nunca ouvi nenhuma palavra da presidenta que fosse prejudicial ou negativa em relação a Meirelles. E convivemos já por quatro anos. Se ocorresse isso, eu teria ouvido, numa ou noutra ocasião. E é preciso lembrar também que, em matéria política, não há gostar ou não gostar. Há exatamente fazer aquilo que é melhor para o País. Volto a lembrar: jamais ouvi uma palavra negativa em relação ao Meirelles.
● E de aprovação?
Também não. Mas também nunca comentei o assunto. Eu sei que eu me dou maravilhosamente com ele.
● Qual é a expectativa do PMDB no novo governo? Fica como está? Aumenta?
Isso vai depender da decisão da presidente. Agora, ela é muito delicada politicamente, vai conversar conosco, PMDB, e com os partidos que participarem da coalizão de governo. Acho que ela estará atenta ao tamanho do PMDB e à sua presença, significativa, no Congresso e no concerto nacional,
● A ex-ministra Marta Suplicy está indo para o PMDB?
Estão dizendo que ela viria porque o Márcio (Toledo, companheiro de Marta) é meu amigo. É verdade, ele É meu velho amigo, e lá atrás se filiou ao PMDB. Mas não houve conversa, nem comigo nem com ninguém.
● Seria um quadro bem-vindo?
É um quadro nacional extraordinário. Agora, é uma questão política, né? Se houver conversa, vamos examinar.
● O sr. não teme uma frustração na sociedade pelo fato de o governo estar fazendo o que a candidata Dilma disse na campanha eleitoral que os outros fariam, como redução no papel dos bancos públicos e aumento de gasolina? Frustração seria o crescimento do desemprego. Quando falamos em retirar a meta do superávit, estamos querendo manter as desonerações em 59 setores, manter os investimentos do PAC, os repasses para os Estados, manter a produtividade nacional, que gera o emprego. Essa é a única preocupação.
● Se as metas não forem cumpridas, o que pode acontecer?
Há sanções se você não cumprir a meta. Pode até haver a responsabilização política. Então, a presidenta, necessariamente, terá que cortar muitas despesas também para não haver uma responsabilização.
● Qual é a grande aposta do governo para o novo mandato?
As concessões são uma delas. Nunca houve tantas concessões como as deste governo.
● O PT defende também a ideia de uma Constituinte exclusiva para a reforma política.
Eu repudio. A Constituinte exclusiva é uma visão equivocada da representação popular, porque não há nada mais elitista que isso. Faz supor que há pessoas mais preparadas, moralmente mais inatacáveis. Constituintes apenas surgem em momentos de ruptura da ordem institucional.
● O presidente do PT, Rui Falcão, disse que a primeiro ponto do diálogo é a reforma política e que o segundo é a regulação da mídia. Quando se fala em regulação da mídia, fala-se em regulação econômica. Precisamos verificar até que momento essa regulação pode importar em censura. Vocês sabem que o PMDB sempre defendeu a mais ampla liberdade de imprensa. E sabem que a presidenta, ao longo do tempo, sempre disse: ‘Olha, eu prefiro uma imprensa livre a uma imprensa amordaçada’. Então, eu acho que não há nenhum risco.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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