PT insiste em manter tesoureiro acusado de operar dinheiro desviado da Petrobras

16/11/2014 08h40m. Atualizado em 16/11/2014 09h32m

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É inacreditável que depois de tudo o que foi dito, o Partido dos Trabalhadores (PT) insista em manter como tesoureiro nacional João Vaccari Neto, apontado como operador do PT dentro da Petrobras. Em depoimento não sigiloso à Justiça do Paraná, o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, apontou João Vaccari como o elo do PT com ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, preso desde a última sexta-feira (14).
“Dentro da área de serviços tinha o diretor, o diretor Duque, que foi indicado na época pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu, e ele tinha essa ligação com o João Vaccari dentro desse processo com o PT”, disse Paulo Roberto Costa ao juiz Sérgio Moro, em depoimento não sigiloso.
Na sexta-feira (14), quando foram deflagradas as prisões de executivos de empreiteiras, a cunhada de João Vaccari, Marice Correa de Lima, foi conduzida de forma coercitiva à Polícia Federal para explicar mensagem interceptada, segundo a qual ela teria se beneficiado de propina paga pela OAS.
O PT avalia que se afastar o tesoureiro daria um recibo antecipado de culpa. Mas mantê-lo pode significar um custo político muito mais alto.
Ao que tudo indica, ainda deve demorar a etapa da Operação Lava Jato que revelará os políticos envolvidos no maior esquema de corrupção da história do país.
A presidente, Dilma Rousseff, continua no discurso que vai investigar tudo, “doa a quem doer”, mas seu partido sequer afasta o tesoureiro, o homem do dinheiro, acusado e suspeito, que continua sangrando em praça pública. Tudo o que Vaccari sofreu até agora foi o afastamento do Conselho de Administração de Itaipu, onde foi instalado 2003, quando a presidente era ministra das Minas e Energia.
Em nota enviada ao Jornal Nacional deste sábado (15), o Partido dos Trabalhadores afirmou que secretário-nacional de Finanças João Vaccari Neto repudia veementemente as acusações e que as doações recebidas pelo PT são realizadas legalmente.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

1 Comentário para "PT insiste em manter tesoureiro acusado de operar dinheiro desviado da Petrobras"

  • NILTON BR 16-11-2014 (11:31 pm)

    O enriquecimento de político ou de gestor de empresa estatal à custa de dinheiro público deveria ser tratado como crime hediondo; seus autores deveriam receber punição exemplar. As verbas desviadas deixam de ser aplicadas em manutenção de leitos de hospitais, em conservação de viaturas policiais e em pagamento de salário de professores, prejudicando milhares ou até milhões de cidadãos. Juízes que aplicam penas brandas a ladrões de verbas públicas demonstram ser tolerantes a crime tão danoso à sociedade e contribuem para a perpetuação da impunidade no país.

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