Desmatamento na floresta amazônica coloca Brasil em alerta

15/11/2014 18h10m. Atualizado em 10/12/2014 23h32m

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O vergonhoso dado de desmatamento do Brasil, que voltou a aumentar em 2013 e 2014, é uma notícia de desanimar. Afinal, o Brasil comemorava a cada ano a queda do ritmo de destruição.
O desmatamento continuava a cada ano, mas numa área menor.
Em 2013 foram 1.300 km2 a mais do que no ano anterior — 30% de crescimento. Ao todo, 5.800 km2. O de 2014 ainda não foi oficialmente divulgado, mas o dado que saiu do Imazon, uma organização privada, mostra que o desmate continua aumentando. A partir de 2004 o Brasil começou a ser apontado como exemplo de combate ao desmatamento, agora o crime voltou a avançar.
Dados ainda mais preocupantes de 2014 estão sendo atrasados (e escondidos) pelo governo federal.
O grave são as consequências. Segundo o cientista Antônio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), “é preciso estancar a sangria da floresta” e “zerar o desmatamento” usando todos os “recursos e meios éticos possíveis, no interesse da vida”. O estudo recente defende, inclusive, o reflorestamento, chamando o desmate de “tiro no próprio pé”.
Como será o mundo sem a Amazônia? Certamente uma mudança climática brutal que afetará a vida de todos. Não há novidade nessa avaliação. Mas a presidente reeleita Dilma Rousseff, que defendeu na campanha governo novo, ideias novas, tem uma oportunidade pela frente se quiser virar esse jogo. O problema é se ela quer.
Dilma nunca conseguiu disfarçar seu desprezo pelo tema ambiental. Foi a principal opositora da então ministra do Meio Ambiente Marina Silva quando ela apresentou propostas para reduzir o desmatamento, no governo Lula.
Depois, quando o ministro era Carlos Minc, opôs-se à política de redução de emissões de gases estufa. Quando o presidente a enviou a Copenhague, já candidata à presidência, no final de 2009, como chefe da missão brasileira, não disfarçava o desgosto com a missão.
Foi preciso que Lula chegasse à capital Dinamarquesa, para que o Brasil passasse a ter papel ativo e relevante nas negociações. E até cometeu um ato falho, ao dizer, que “o meio ambiente é um obstáculo ao desenvolvimento sustentável”. Ninguém explica a frase, nem Freud.
No seu governo, Dilma reduziu áreas de importantes unidades de conservação na Amazônia, para permitir exploração mineral e petrolífera e facilitar a construção de hidrelétricas, sem considerar os danos ambientais ou aos direitos constitucionais dos povos indígenas.
Criou pouquíssimas unidades novas de conservação e essas poucas protegem território muito pequeno, quando comparado à extensão de florestas protegidas por Fernando Henrique e Lula.
Finalmente, alterou o uso dos dados de desmatamento do sistema Deter, que usa imagens de satélite para detectar focos de desmatamento e os anuncia em tempo real para alertar a sociedade. Agora foi espaçada a divulgação, reduzindo o acesso público e a transparência. O sistema Deter foi criado como parte do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, lançado em 2004 pelo presidente Lula.
Os dados, antes divulgados mensalmente e de acesso aberto, passarão a ter divulgação trimestral e acesso restrito. Na área ambiental só houve retrocessos no governo Dilma. Hoje, quem diz que o Brasil é exemplo está olhando o movimento de queda de desmatamento realizado pela ex-ministra Marina, mas não olha o que está acontecendo nos últimos dois anos quando começou o retrocesso.
E mais, quem acha que hidrelétrica é sempre sinal de energia limpa precisa saber mais sobre a história de cada uma. Existem hidrelétricas boas e outras que deixam um rastro de destruição. Itaipu é fundamental para o Brasil; Balbina virou sinônimo de crime ambiental. O importante agora é ouvir os alertas de cientistas como Antonio Nobre e proteger a Amazonia.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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