O que acontecerá com o seguro-desemprego? Com a palavra: o governo

15/11/2014 12h19m. Atualizado em 16/11/2014 09h09m

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O governo anda colocando pulga atrás da orelha dos trabalhadores. Na semana depois da reeleição da presidente da República, Dilma Rousseff, duas declarações sobre o seguro-desemprego intrigaram quem acompanha o noticiário econômico. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que benefícios sociais seriam reduzidos: “Temos agora que fazer uma redução importante das despesas e procuramos reduzir as que mais crescem, como seguro-desemprego, abonos e auxílio-doença, que representam um gasto de R$ 70 bilhões por ano”. Perguntado o que faria, ele usou a estranha palavra “reformatar”. Dias depois foi a própria Dilma quem apontou o seguro-desemprego como um vilão: “O seguro-desemprego é um grande patrocinador de fraudes”, disse a presidente em uma coletiva.
Parece estranho e a conta não bate: o governo alardeia que chegou ao estado de pleno emprego, ao mesmo tempo afirma que precisa reduzir o seguro-desemprego. Já que o emprego é tanto, o seguro deveria estar próximo do nada, não? Não, ele só cresce.
De acordo com a revista Istoé, publicada neste sábado (15), em 2003, no primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa de desemprego estava em 12,4%, o número de pessoas que recebiam o seguro-desemprego era 4,9 milhões e o seguro-desemprego custava R$ 6 bilhões. Em 2014, com a taxa de desemprego na casa de 5%, o número de pessoas que recebem o benefício é de 8,9 milhões e o custo do benefício para o país de R$ 35,2 bilhões. Entre 2003 e 2014, a inflação foi de 187% enquanto o aumento do custo do seguro-desemprego foi de 383%.
Responsável pelo pagamento do seguro-desemprego, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) registra déficit desde 2009, e, em 2015, a previsão é que a dívida chegue a R$ 20 bilhões.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, quer alterar as regras de concessão do seguro e tenta negociar o assunto com representantes das centrais sindicais desde janeiro de 2014, mas o diálogo não progrediu por ser ano eleitoral, período de adiar medidas amargas
No entanto, a ideia do governo é mesmo adotar de imediato regras mais rígidas, e por Guido Mantega, que, de saída do governo, ficaria com o impacto negativo da medida. Se o governo diz que há fraudes, deveria combatê-las. Só isso.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

2 Comentários para "O que acontecerá com o seguro-desemprego? Com a palavra: o governo"

  • NEUBER LÚCIO SOARES 15-11-2014 (2:12 pm)

    Então, eu paro, penso e pergunto: cadê a coerência desse povo? Seguro desemprego não é medida social? Só bolsa-família? Ser trabalhador é crime em nosso país, pelo menos nos últimos12 anos.

  • willian 21-11-2014 (9:58 pm)

    o pt é um bando de ladroes

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