Dilma confirma que os 39 ministros pediram demissão

14/11/2014 16h10m. Atualizado em 16/11/2014 07h35m

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Em Brisbane, na Austrália, onde participa do encontro do G20, a presidente da República, Dilma Rousseff confirmou, neste domingo (16), que recebeu carta de demissão dos 39 ministros de estado.
“É um gesto elegante dos ministros”, disse a presidente em coletiva de imprensa, após o almoço de encerramento da cúpula. Dilma Rousseff prepara a reforma ministerial para o seu segundo mandato.

Análise
Um Congresso mais fragmentado, muitos ressentimentos, mágoas pós-eleitorais e partidos querendo mais espaço no ministério.
Tudo isso entra na difícil equação que a presidente Dilma terá que resolver em pouco tempo para montar uma coalizão de governo que funcione. Ela tem 39 novos ministros para escolher e compor sua equipe no segundo mandato e não deve querer desagradar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que insiste em distribuir convites para o primeiro escalão por conta própria.
Mas Lula não vota, nem veta no Congresso. Na velha forma de fazer política no Brasil, Dilma tem que compor a divisão entre os que têm poder de veto e voto no Congresso: PT, PMDB, PP, PSD, PR, PDT, PRB, e vários outros dos 28 partidos com cadeiras no Congresso, dos quais treze são mais decisivos, mas três deles estão na oposição.
Uma coalizão minimamente funcional é indispensável à governabilidade no Congresso. Dilma não pode abrir mão de técnicos nas áreas mais sensíveis para fazer o Brasil dar certo, mas também não pode desagradar aos políticos. A presidente ainda pensa em usar os ministérios como estratégia para eleger a presidência do Senado e da Câmara no próximo biênio.
Se algum aliado desagradar da parte que lhe couber no latifúndio ministerial, a presidente enfrentará a possibilidade de sucessivas paralisias decisórias no Congresso. São variáveis demais e essa equação pode não fechar.

Nos últimos dias, enquanto Dilma Rousseff participava da reunião do G20 na Austrália, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, pediu que os 39 ministros entregassem cartas de demissão para deixar a presidente à vontade para montar sua nova composição. O que se comenta nos bastidores é que Dilma deve confirmar poucos dos atuais ocupantes nos cargos.
Confira o banco de aposta em cada cargo:

1) Agricultura – de saída Neri Geller (PMDB)
Cotado: Kátia Abreu
A presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), é considerada favorita para ocupar o Ministério da Agricultura. Kátia Abreu é, para o governo, a responsável pela aproximação do agronegócio com o governo
O preço a pagar: Dilma terá de recompensar o PMDB da Câmara que indicou Neri Geller.

2) Cidades – de saída Giilberto Occhi do PP
Cotado: Gilberto Kassab PSD
A pasta da Cidades é a menina dos olhos de muitos partidos. É considerada um imã de votos, já que cuida de programas como o Minha Casa, Minha Vida, saneamento e mobilidade urbana.
A maior aposta é que o ministério vá para o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.
O preço a pagar: O PP não vai deixar barato.

3) Ciência Tecnologia e Comunicações – de saída Clelio Campolina

4) Comunicações – de saída Paulo Bernardo – não entregou carta de demissão

5) Cultura – Marta Suplicy já saiu
Cotado: Juca Ferreira
Juca Ferreira, ex-ministro do governo Lula, atual secretário da prefeitura de São Paulo, é o mais cotado para assumir o cargo já vago.
Outras apostas para o ministério da Cultura são Fernando Morais e Chico César.

6) Defesa: Celso Amorim pode continuar

7) Desenvolvimento Agrário: Miguel Rossetto é nome certo para continuar no primeiro escalão do governo, mas pode trocar de pasta

8) Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Mauro Borges de saída vai ocupar uma secretaria no governo de Minas Gerais
O governador eleito, Fernando Pimentel, quer indicar outro para o ministério.

9) Desenvolvimento Social e Combate à Fome: Tereza Campello é cotada para coninuar.

10) Educação: Henrique Paim – deve sair
Dilma teria convidado Cid Gomes do Pros para ocupar o ministério, mas o convite não foi aceito.

11) Esporte: Aldo Rebelo sai
A Pasta deve ir para o PMDB do Rio, nos últimos dias até o nome de Sérgio Cabral foi cogitado, mas não houve confirmação sobre o assunto. O Esportes será importante para a realização das Olimpíadas de 2016.

12) Fazenda: sai Guido Mantega
Cotados: Entre os mais citados como prováveis futuros ministros da Fazenda estão Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula, Nelson Barbosa, ex-número 2 da Fazenda e Alexandre Tombini, atual chefe do BC.
Alexandre Tombini foi chamado às pressas para a comitiva do G20, o que engrossou as apostas em seu nome

13) Integração Nacional: sai Francisco José Coelho Teixeira, do PROS.
Cotado: Jacques Wagner
Mas o PMDB já considera a pasta como sua. E quer emplacar algum dos caciques que perderam eleição em suas bases, como Eduardo Braga, Eunício Oliveira ou Vital do Rêgo, este mais cotado para o TCU.

14) Justiça: José Eduardo Cardozo – deve sair.
Dilma tem apreço pessoal por Cardozo, mas ele está cotado para o Supremo. O PMDB promete barrar sua indicação para a Suprema Corte no Senado .

15) Meio Ambiente: de saída Izabella Teixeira
O senador Jorge Viana (PT-AC) é o mais cotado para assumir o Ministério do Meio Ambiente.

16) Minas e Energia: de saída Edison Lobão
Cotados: O PMDB vai tentar manter a pasta com o atual secretário-executivo do MME, Márcio Zimmermann.
Mas o Ministério sempre foi da cota pessoal de Dilma, que pode nomear Giles Azevedo, seu chefe de gabinete.

17) Pesca: Eduardo Lopes – pode ficar

18) Planejamento: Miriam Belchior – deve sair
Cotado: Miguel Rossetto

19) Previdência: Garibaldi sai
Henrique Alves, primo de Garibaldi, é o nome mais cogitado para a pasta que deve continuar com o PMDB.

20) Relações Exteriores (Itamaraty): Luiz Alberto Figueiredo deve continuar
Luiz Alberto Figueiredo encontra forte resistência entre servidores do Itamaraty.

21) Saúde: Arthur Chioro – fica

22) Trabalho e Emprego: Manoel Dias deve sair
O ministério deve continuar com o PDT. O presidente do partido, Carlos Lupi cobra de Dilma mais autonomia na pasta.

23) Transportes: Paulo Sérgio Passos deve sair

24) Turismo: Vinicius Lage – PMDB pode continuar
Vinicius Lage é cotado para secretariar o governador Renan Filho (AL) a partir de 2015. Se sair do ministério, a vaga deve continuar com o PMDB

25) Assuntos Estratégicos – Marcelo Neri deve sair

26) Aviação Civil – Moreira Franco deve continuar

27) Comunicação Social – Thomas Traumann pode sair
A pasta pode perder poder. Há rumores de que as atribuições da pasta podem ser absorvidas pelo ministério das Comunicações

28) Direitos Humanos – Ideli Salvatti – sai
Ideli Salvatti tenta a vaga do Senado no TCU deixada por José Jorge, mas o senador Vital do Rêgo é favorito

29) Micro e Pequena Empresa – Guilherme Afif fica

30) Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Luiza Helena de Bairros deve ficar

31) Políticas para as Mulheres – Eleonora Menicucci deve ficar

32) Portos – Cesar Borges deve ficar na cota pessoal de Dilma

33) Secretaria-Geral da Presidência – Gilberto Carvalho sai

34) Relações Institucionais – Berzoini sai
Dilma gostaria de Jacques Wagner, que não quer, ele já ocupou o cargo, sem muito brilho, no governo Lula.

35) Advocacia Geral da União – Luís Adams
Adams também segue cotado para ocupar a vaga no Supremo deixada por Joaquim Barbosa. Caso isso não ocorra, deve continuar

36) Banco Central – Alexandre Tombini pode continuar ou ir para a Fazenda

37) Casa Civil – Mercadante – fica

38) Controladoria Geral da União – Jorge Hage deve continuar

39) Segurança Institucional- José Elito Carvalho está de férias

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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