Atlético Mineiro x Cruzeiro: o calote por trás da final da Copa do Brasil

13/11/2014 08h37m. Atualizado em 13/11/2014 11h48m

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*Por Gabriela Moreira No dia em que Atlético-MG e Cruzeiro faziam a primeira partida da decisão mais importante do futebol nacional do ano amanheço com a notícia de que a FIFA enviara um fax para o alvinegro cobrando do clube um calote de quase 3 milhões de euros pela compra junto ao Al Gharafa de Diego Tardelli.

No fim do dia, ainda antes do jogo, a Fazenda Nacional bloqueava pela Justiça toda a renda da partida, por dívidas do clube com a União.

Um dos principais jogadores do ano do Galo, que esteve em campo horas depois, é fruto de calote, segundo a FIFA. Qual a surpresa? Lendo na decisão vejo que os argumentos usados pelos mineiros para o não pagamento foi o “ilegal bloqueio” das receitas do clube, pela Fazenda Nacional.

É isso, mesmo, o que está escrito. O Governo Federal, ao qual o Atlético-MG é o clube que mais deve no Brasil é o culpado pelo calote dado na compra do jogador. Foi o que disse o alvinegro ao tribunal da FIFA.

Faz parte do repertório dos dirigentes e clubes a busca de desculpas para suas extravagâncias financeiras. E sempre encontram um parceiro para ajudar nos caprichos. Tudo em nome do espetáculo, como o da vitória do Galo por 2 a 0 sobre o maior rival, em que nem se viu um futebol tão espetacular assim.

Posturas perdulárias conhecidas, mas que antagonicamente têm encontrado convivência com o linguajar da eficiência econômica. É o que fez o próprio Atlético-MG ao elevar os preços para a primeira partida da final. O mais barato (inteira) custava R$ 400,00. Custo de oportunidade, diriam alguns dirigentes.

Oportunidade não tão acessível assim. O estádio não lotou no modesto Independência, com capacidade para 35 mil pessoas.

Sorte da Fazenda Nacional, que pode ter este valor restituído aos cofres públicos. Azar do Al Gharafa. Viva o futebol, que nem sempre é justo com o que ocorre fora de campo. Ainda bem.

E que os doidos sejam os do campo. Como o “menino maluquinho” Luan.

Gabriela Moreira

Gabriela Moreira é repórter da ESPN e colaboradora do blog

1 Comentário para "Atlético Mineiro x Cruzeiro: o calote por trás da final da Copa do Brasil"

  • Eduardo 13-11-2014 (7:06 pm)

    Prezada Gabriela,

    Permita-me descordar do seu posicionamento.

    O bloqueio realizado nas contas do Atlético MG antes da final da Copa do Brasil é, senão outro termo mais adequado, ilegal, uma vez que há um acordo celebrado com a Fazenda Nacional, autorizado pelo Ministro Guido Mântega e celebrado de próprio punho pelo Advogado Geral da União Luiz Inácio Adams, em que o Atletico parcela a dívida que possui com o fisco federal mediante o pagamento de R$864.000,00 mensais durante 15 anos. Esse processo faz parte do programa de recuperação de crédito do Governo Federal e, consequentemente, DEVE (veja bem, não se trata de faculdade) suspender imediatamente todas as execuções federais em curso contra o clube, o que não foi feito e nem respeitado pelo “ilustre” rebelado Procurador Federal, nem respeitado pelo ilustre “clubístico” magistrado. Existe, inclusive, uma publicação no Diário Oficial da União autorizando o acordo, que deveria ser de seu conhecimento como repórter da ESPN.

    Ambos, procurador e juiz, deverão ser investigados por estarem descumprindo acordo celebrado em instâncias superiores (no caso do procurador) e do juiz, em específico, por tratar desigualmente os processos em que o Atletico MG é réu. Enquanto o processo de um cidadão comum demora em média 2 meses para ser despachado nesta respectiva vara, o do Atletico MG demora 1 dia, quando a decisão é em contrário (como sempre é).

    Quanto ao pagamento do Tardelli, o clube certamente não pagou pelo antigo bloqueio da renda originada pela venda de Bernard e priorizou o pagamento de coisas cotidianas mais importante, como o pagamento dos funcionários do próprio clube (desde o porteiro até o mais alto executivo e jogador), que são, efetivamente, os responsáveis por fazer o clube funcionar.

    Todos os clubes vivem estes problemas, e não só o Atletico MG, que você, irresponsavelmente e erroneamente, atribui como maior devedor do Fisco. Veja, por gentileza, o montante das dívidas dos clubes cariocas.

    Para exercer a profissão de repórter o mínimo que você deve utilizar é conhecimento de causa, antes de manifestar uma opinião deste porte ao público em geral. Reitero, uma vez que, até mesmo na capacidade do Estádio Independência, uma informação pública disponível e fácil acesso, você se equivoca de maneira trágica.

    Saudações.,
    Eduardo

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