Exclusivo: Arapongas de Hugo Chavez espionaram Brasil

12/11/2014 15h28m. Atualizado em 13/11/2014 11h30m

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O serviço de inteligência do Exército monitorou um grupo de arapongas venezuelanos coletando informações em quatro estados brasileiros e no Distrito Federal.

Os agentes secretos venezuelanos entraram no país em 22 de novembro de 2007 e passaram por Foz de Iguaçu (PR), Curitiba (PR), São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belém (PA).

A entrada dos agentes foi relatada em informe sigiloso do serviço de inteligência do Exército — e revelada ao blog por um funcionário do governo brasileiro na condição do anonimato.

O repórter questionou o Exército, que afirmou que o comando da Força possui, em seu arquivo, informe cujo conteúdo faz alusão ao tema mencionado, mas não em sua totalidade.

O Exército confirma a suspeita de uma visita, mas em quatro “veículos protótipos de uma empresa venezuelana”.

Ao blog, o funcionário do governo brasileiro explicou que esse tipo de missão dos venezuelanos é conhecida no meio da inteligência como uma atividade de coleta de informações e que a empresa era o chamado “disfarce de intenções”.

Eles entravam dizendo-se da empresa, segundo ele, mas tinham o objetivo de obter informações sobre pontos estratégicos brasileiros, como da usina bilateral de Itaipu e da esplanada dos ministérios. Segundo o relato, o Exército brasileiro monitorou os venezuelanos registrando, inclusive, em filmagens, esses pontos estratégicos.

Na ocasião da entrada dos venezuelanos havia um crescente temor de uma corrida armamentista na América Latina.

Capa da revista Época um mês antes da entrada dos venezuelanos em 2007 trazia uma foto do ex-presidente Hugo Chávez(morto ano passado) e uma pergunta: “O Brasil deve ter medo dele?”.

O sentimento de temor na América Latina devia-se a uma maciça compra, por dois anos, de equipamentos militares: fuzis e caças russos, navios de guerra espanhóis, radares móveis chineses.

O Exército afirmou que “viagem pela América do Sul” tinha previsão de início e término em Caracas. Mas ponderou que o informe só perderá o sigilo em 2017. Procurada, a embaixada da Venezuela no Brasil não se manifestou até o fechamento desta reportagem, mas disse que os dois países são amigos.

Procurado desde sexta-feira (31), o embaixador da Venezuela no Brasil, Diego Molero Bellavia, afirmou na terça-feira (4), por meio da assessoria de imprensa, que nunca teve o conhecimento de nenhuma ação de espionagem no Brasil.

Ainda segundo a assessoria, Bellavia reforçou que foi ministro da defesa da Venezuela e chefe e inteligência naval no país. Segundo ele, o Brasil é um país amigo e com uma boa relação com a Venezuela.

Muy amigos, pelo visto, porque fingem de empresários, circulam pelo Brasil para coletar sabe-se lá que tipo de informação, e continuam dizendo que nada vieram fazer e o embaixador é um quadro que veio do serviço de informações.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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