Encontrado o carcereiro da Casa da Morte, centro repressor da ditadura

11/11/2014 10h05m. Atualizado em 12/11/2014 00h04m

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Reportagem de “O Globo”nesta terça-feira (11) revelou o nome de um dos carcereiros da Casa da Morte de Petrópolis, violento centro de repressão e tortura da ditadura militar.
“Camarão”, como era conhecido, é na verdade o solda­do reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro Lima, hoje com 71 anos, e foi localizado no interior do Ceará.
O jornalista Chico Otávio conta que “Camarão” foi encontrado por policiais federais e pelo grupo de trabalho do Ministério Público Federal, responsável pela investigação dos crimes praticados no regime.
Em depoimento já prestado, Antônio admitiu atuar como vigia da Casa da Morte, mas disse que não sabia de nada, nenhuma violência ou tortura, que acontecia dentro daquele inferno construído para matar os opositores esquerdistas do regime.
Investigações apontam que a ditadura executou na casa ao menos 20 militantes de diferentes organizações que combatiam o regime militar. Após as mortes, os militantes eram esquartejados.
À época, a propriedade era do alemão Mario Lodders, mas emprestada ao Centro de Informações do Exército (CIE).
Inês Etienne Romeu, mili­tante da Vanguarda Popular Revolucio­nária (VPR), foi a única sobrevivente da casa de Petrópolis. Esteve lá entre maio e setembro de 1971.
Em 1979, ela divulgou um importante depoimen­to sobre sua passagem pelo local. Sofreu torturas físicas e psicológicas — acabou estuprada duas vezes por Camarão.
A Casa da Morte é o mais absurdo dos absurdos do regime. O Exército tinha um aparelho onde clandestinamente seus torturadores levavam adversários com o fim de torturar até a morte. Esse teatro dos horrores o Brasil fica sabendo aos poucos. Hoje já sabe mais um pedaço.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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