Senado quis aliviar, mas acabou piorando a dívida dos estados em 2014

10/11/2014 08h32m. Atualizado em 11/11/2014 10h11m

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No ano de 2014, os estados e municípios perderão com a nova fórmula de correção. O Senado aprovou a troca do índice que corrige as dívidas dos estados e todos os partidos comemoraram num raro momento de união suprapartidária nesses tempos pós-eleitorais. Mas eles não olharam os índices de 2014.
Agora as dívidas serão corrigidas pelo IPCA, calculado pelo IBGE, que até outubro acumula no ano uma inflação de 5,05% e deve fechar 2014 bem perto de 6,5%. Já o IGP-DI (calculado pela Fundação Getúlio Vargas) acumula até outubro 2,2%.
Cada índice mede uma inflação. O IPCA é a elevação dos preços ao consumidor. O IGP junta preços ao consumidor, preços do atacado pagos pelas indústrias e os da construção civil. Normalmente o IGP é mais impactado pelo dólar e pode vir a subir mais neste fim de ano. Mesmo assim, na estreia da nova fórmula de cálculo os estados e grandes municípios perderão na conta de 2014.
Mas eles estão de olho é no ganho que terão com a retroatividade: o novo índice vai refazer a conta da dívida acumulada e dos juros pagos desde 1997. Eles terão um grande desconto. O maior perdedor será o credor, ou seja, o Tesouro.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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