Aécio: a candidata Dilma deve estar envergonhada da presidente Dilma

09/11/2014 09h33m. Atualizado em 10/11/2014 08h37m

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Aécio Neves, que nas eleições presidenciais teve 51 milhões de votos, continuou seu trabalho de dar contornos à oposição numa primeira entrevista exclusiva a um jornal impresso.

Em entrevista ao “O Globo” publicada neste domingo (9), Aécio Neves disse: “Não adianta me empurrar para a direita que eu não vou”. O PSDB está determinado a rejeitar o rótulo que o PT sempre jogou em cima do partido. Disse ainda que o Brasil “está assistindo ao maior estelionato eleitoral da História” e que “A candidata Dilma [Rousseff] estaria muito envergonha­da da presidente Dilma.

“Para a candidata, au­mentar juros era tirar comida da mesa dos po­bres”. Assim, ele se aproveita da enorme contradição desses primeiros dias. Ao falar dos banqueiros e juros, Aécio faz alusão a ataques da campanha petista a ele próprio e a terceira colocada, Marina Silva, e ao mesmo tempo à busca de um ministro da Fazenda que venha do mercado financeiro.

A linha da entrevista pode ser resumida assim: rejeitar o rótulo de direita para o partido e explorar as contradições. Outra preocupação da entrevista foi negar mais uma vez que a oposição queira fazer parte do “acordão” para transformar a CPI da Petrobrás em pizza.

Aécio pontuou alguns exemplos: “Três dias depois da eleição, o BC aumen­tou os juros. Para a candidata, não havia infla­ção. A presidente agora admite que há e que é preciso controlá-la. A candidata dizia que as contas públicas estavam em ordem, e descobri­mos que tivemos um setembro com o pior re­sultado da História. A candidata dizia que cum­priria o superávit fiscal e agora se prepara para pedir a revisão da meta de 1,9%. Estamos assis­tindo ao maior estelionato eleitoral da História”.

Na entrevista ao “O Globo”, Aécio ainda afirmou que a presidente Dilma Rousseff “usou o IBGE”. “A presidente usou o marketing de que tinha tirado não sei quantos milhões da misé­ria já sabendo que a miséria au­mentara”. Segundo Aécio, foi “mais um estelionato”.

Ao dar a entrevista, Aécio sabe que as contradições entre a candidata e a presidente já aparecem entre apoiadores de Dilma nas redes, que postam mensagens de desagrado. Mas ainda não chegaram à maioria de seus eleitores.

Se Dilma não controlar a inflação que a candidata afirmava estar controlada e a satisfação econômica da população diminuir, ela corre o risco de perder a popularidade muito rapidamente, como aconteceu com Fernando Henrique Cardoso em 1999.

Isso enfraqueceria sua relação com a base aliada no Congresso. É esse o risco que aparentemente preocupa o ex-presidente Lula, segundo várias notícias veiculadas nos últimos dias, e o faz querer influenciar a montagem da equipe econômica. O problema é que os nomes indicados por Lula só aceitam se tiverem automomia de ação e Dilma parece não abrir mão de ter a última palavra.

Na entrevista, Aécio afirmou admitiu que cometeu erros em Minas Gerais, Estado que governou por oito anos, elegeu o sucessor, mas perdeu lá para Dilma. “Nin­guém é invencível. Eu não sou infalível. É do jogo político. Souberam ser mais compe­tentes do que nós. A responsa­bilidade é minha, mesmo. Va­mos recuperar esse espaço”, disse.

Aécio Neves afirmou que “a oposição tenha várias caras” e que seria um erro estratégico e um ato de absoluta arrogância achar que ele era o líder da oposição. “Somos um conjunto de pessoas cre­denciadas para falar em nome de uma parcela importante da população”.

Nessa linha, disse que gostaria de ver uma aliança reeditada na eleição para a presidência da Câmara, sinalizando para uma candidatura do PSB. “A mim agradaria, mas é uma decisão que será tomada com absoluta autono­mia pelos deputados”.

Na entrevista, Aécio Neves afirmou que o governo do PT acredita que política social é somente o bolsa família. Ele defendeu que é preciso ter saúde, edu­cação de qualidade e geração de emprego para incorporar as pessoas ao mercado formal.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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